O Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) enfrenta uma crise no atendimento aos pacientes internados, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), após a remoção de toda a equipe de odontologia hospitalar. A medida, que paralisou o serviço especializado, é apontada pelos profissionais como uma retaliação da secretária-adjunta de Saúde Bucal, Cristhiane Leite. A medida teria recebido respaldo do prefeito Abilio Brunini (PL).
Segundo relatos dos servidores, a motivação para a remoção teria sido o fato de a secretária não ter sido incluída como coautora em um resumo de apresentação de um trabalho científico para um congresso em Brasília. A gestora teria expressado decepção e exigiu a inclusão de seu nome no trabalho.
Impacto no atendimento
Sete profissionais especialistas em odontologia hospitalar, que atuavam no HPSMC desde 2023, foram transferidos para clínicas odontológicas em diversas regiões da cidade. A equipe era responsável pelo atendimento de 55 leitos de UTI e enfermarias, realizando a remoção de focos de infecção oral em pacientes graves e entubados.
Desde o dia 10 de setembro, data da remoção, o serviço está paralisado. Documentos obtidos pela reportagem mostram que o hospital tem enviado mensagens urgentes solicitando avaliação odontológica para pacientes, mas não há profissionais capacitados no local para atender à demanda.
A gestão teria substituído os sete especialistas por apenas três profissionais sem experiência específica em ambiente hospitalar, o que, segundo os denunciantes, configura um “retrocesso” e um “impacto irreversível” aos pacientes.
Clima de medo e assédio
Os servidores relatam um ambiente de trabalho marcado por perseguição e assédio moral. A secretária-adjunta, que chegou ao cargo por meio de uma lista tríplice acordada entre o sindicato da categoria e o Conselho Regional de Odontologia (CRO), é descrita como alguém que se sente protegida por sua proximidade com o prefeito Abilio Brunini.
“Todo mundo está muito assustado com ela, porque falam que ela é a protegida do prefeito”, afirmou um dos profissionais, sob condição de anonimato. O sindicato, que inicialmente avalizou a indicação, agora apoia a luta dos servidores contra as ações da gestora.
Na última semana, os profissionais se reuniram com o prefeito para expor a situação e solicitar uma solução. O gestor municipal ouviu a equipe e comprometeu-se a conversar com a secretária-adjunta, mas, até o momento, os servidores aguardam uma resposta enquanto o atendimento hospitalar permanece desassistido.
Outro lado
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da prefeitura de Cuiabá, mas nenhuma resposta foi enviada até o momento.























