Abílio Brunini é o maior adversário de Abílio Brunini. Faz parte da categoria chamada de político-celular. A sua atuação parlamentar é só fazer rir: rir dos outros, rir dos adversários, rir de tudo ao alcance do seu deboche. O show circense agrada seus seguidores nas redes sociais. A cada vídeo “engraçado” para extrema direita, Abílio vai cultivando, entretanto, a aura de irresponsável, raso politicamente, e de sujeito “desequilibrado”, sem condições pessoais para ocupar qualquer cargo no Executivo, como declarou recentemente o pastor Marcos Ritela (PTB).
O deputado federal bolsonarista tem uma incontrolável compulsão para atacar as mulheres, alvo preferencial do seu deboche e desprezo. Foi assim na eleição de 2020, candidato a prefeito de Cuiabá derrotado, quando em um debate na TV disse que a sua adversária, a advogada Gisela Simona, era uma ótima candidata, “apesar de ser mulher”.
Os ataques de Abílio às mulheres revelam, na verdade, é a sua paixão e atração pela figura de Bolsonaro. Abílio deseja ser Bolsonaro; copia o tom de deboche usado pelo Mito, e copia a estranha e covarde predileção de Bolsonaro em atacar as mulheres. Rebaixar a atuação das mulheres na política, de qualquer viés ideológico, a meros comportamentos sexuais é um gesto grave de desrespeito de Abílio, com um custo eleitoral futuro entre as eleitoras e entre os eleitores que repudiam esse comportamento grosseiro.
Na CPMI dos atos golpistas, esta semana, Abílio fez novo ataque contra as mulheres. Sua fala machista teve como alvo duas mulheres parlamentares, a deputada federal Jandira Feghali (PcdoB/RJ) e a senadora Eliziane Gama (PSD/MA), relatora da CPMI. O deputado de Mato Grosso disse que ambas tem uma paixão secreta, sugerindo um desejo sexual, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Abílio, por não poderem realizar suas paixões e desejos sexuais com Bolsonaro, elas passaram a persegui-lo politicamente. “Não conseguiram realizar seus objetivos pessoais internos e decidiram partir para o ódio. Se elas não podem ter o Bolsonaro, ninguém terá”, afirmou o deputado federal, rebaixando a atuação das parlamentares a “paixão interna incorporada” transformado em ódio cultivado pela frustração.
Amália, Jandira, Fernanda e Eliziane
As afirmações de Abílio Brunini são um desrespeito a todas as mulheres, e em especial às mulheres que atuam na política. Por esta lógica torta e debochada de Abílio, as suas colegas parlamentares, as deputadas federais Amália Barros (PL/MT) e Coronel Fernanda (PL/MT), criticariam Lula movidas apenas por uma paixão secreta de ambas pelo petista? As parlamentares bolsonaristas seriam movidas pela frustração de desejos sexuais não realizados com o atual presidente da República? Ou ambas defendem fervorosamente Bolsonaro porque sentiriam algum tipo de atração sexual pelo capitão? Amália, Jandira, Fernanda e Eliziane, merecem respeito como mulheres e como parlamentares, o que decididamente Abílio não tem.
O senador Jayme Campos (União Brasil/MT) já declarou que a atuação parlamentar do deputado federal Abílio Brunini envergonha a sociedade de Mato Grosso. Uma declaração que Abílio jamais contestou publicamente, talvez porque não interesse a ele debater com um homem, preferindo centrar, como seu ídolo Bolsonaro, no ataque debochado às mulheres.
Veja o vídeo de Abílio que diverte os seus seguidores radicais e revela o caráter do deputado.
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