A acromegalia é uma doença rara, progressiva e ainda pouco conhecida, tanto pela população quanto por muitos profissionais de saúde fora da endocrinologia. Justamente por isso, seu diagnóstico costuma ser tardio, levando frequentemente anos até que os sinais sejam corretamente interpretados. Trata-se de uma condição causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento, geralmente devido a um tumor benigno na hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro. Esse excesso hormonal provoca alterações graduais no corpo, que muitas vezes passam despercebidas no início.
O hormônio do crescimento, quando produzido em excesso na vida adulta, leva ao aumento de tecidos e estruturas corporais. Diferentemente do que ocorre na infância, quando pode causar crescimento exagerado em altura, na fase adulta o efeito é mais sutil e progressivo, afetando principalmente extremidades e tecidos moles. Com o passar do tempo, é comum que anéis deixem de servir, que o número do sapato aumente e que o rosto apresente mudanças como mandíbula mais proeminente, nariz aumentado, pele mais espessa, língua aumentada e voz mais grave. Essas transformações acontecem lentamente, o que dificulta a percepção tanto do paciente quanto das pessoas ao redor.
A acromegalia não se limita às alterações físicas visíveis. O excesso do hormônio do crescimento também interfere em diversos sistemas do organismo, podendo provocar dores articulares e musculares, suor excessivo, fadiga constante, apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes e aumento do risco cardiovascular. Em muitos casos, o paciente procura atendimento por essas condições sem saber que todas podem estar relacionadas a um mesmo distúrbio hormonal.
Um dos maiores desafios dessa doença é justamente o tempo até o diagnóstico. Como a evolução é lenta, as mudanças costumam ser atribuídas ao envelhecimento ou a características individuais. Além disso, por ser rara, a acromegalia nem sempre é considerada como hipótese inicial. Estudos mostram que o diagnóstico pode levar de cinco a dez anos após o início dos sintomas, o que aumenta o risco de complicações, já que o organismo permanece exposto por longos períodos ao excesso hormonal.
O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica associada a exames laboratoriais que medem os níveis de IGF-1, um hormônio relacionado ao hormônio do crescimento, e testes específicos para confirmar o excesso hormonal, além de exames de imagem como a ressonância magnética, que permitem identificar a presença do tumor na hipófise.
Apesar de ser uma condição complexa, a acromegalia tem tratamento e quando diagnosticada precocemente apresenta melhores resultados. As opções incluem cirurgia para remoção do tumor, medicamentos que controlam a produção hormonal e em casos selecionados radioterapia. O objetivo do tratamento é normalizar os níveis hormonais, controlar o crescimento do tumor e reduzir os sintomas e riscos associados possibilitando melhora significativa da qualidade de vida.
Por ser uma doença silenciosa e pouco divulgada, a acromegalia reforça a importância da atenção aos sinais do próprio corpo mudanças progressivas especialmente em mãos, pés e face não devem ser ignoradas. A informação é fundamental para o diagnóstico precoce, e quanto mais se fala sobre o tema, maiores são as chances de identificação e tratamento adequado. Diante de qualquer suspeita a avaliação com um endocrinologista é essencial.
Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT

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