
A Arquidiocese de Cuiabá divulgou nesta segunda-feira (28.09) uma nota de repúdio à vandalização de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida localizada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá. A escultura foi encontrada sem a cabeça na noite da última sexta-feira (25.09).
O registro da imagem quebrada começou a circular nas redes sociais no sábado (26.09). Até o momento, não há informação pública sobre quem provocou o dano nem confirmação sobre a motivação do episódio. Na nota, a Arquidiocese classificou o episódio como vandalização e destacou a importância histórica e religiosa do local.
“A Cruz do Chilão é um importante marco da religiosidade popular cuiabana e carrega uma história que atravessa gerações, reunindo elementos da tradição católica e da cultura dos povos de matriz africana”, afirmou.
Localizada entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra, a Cruz do Chilão é um dos pontos tradicionais da religiosidade popular de Cuiabá. O local também é relacionado à memória de Mãe Bonifácia e às práticas religiosas e de cura de populações negras da capital no século XIX.
A Arquidiocese ressaltou ainda que a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício dos cultos religiosos são direitos assegurados pela Constituição Federal e defendeu que episódios motivados por intolerância sejam investigados.
“Atos de intolerância, discriminação e violência motivados pela religião podem configurar crimes e devem ser devidamente apurados e responsabilizados pelas autoridades competentes”, diz a nota.
A instituição lembrou que Nossa Senhora Aparecida é a Padroeira do Brasil e afirmou que símbolos e espaços sagrados de todas as tradições religiosas devem ser respeitados.
“Repudiamos toda forma de intolerância religiosa, vandalismo e violência contra símbolos de fé”, afirmou a Arquidiocese, que pediu a apuração do episódio, a identificação dos responsáveis e a responsabilização de quem tenha provocado o dano.
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Imagem de Nossa Senhora entrou no debate eleitoral
O episódio em Cuiabá ocorre no mesmo período em que Nossa Senhora Aparecida passou a ser tema da disputa presidencial, embora não exista até o momento qualquer evidência de ligação entre a depredação da imagem e a controvérsia eleitoral.
Nos últimos dias, voltou a circular nas redes sociais o Projeto de Lei 2.623/2007, que propunha substituir na legislação a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta foi apresentada pelo então deputado federal por Mato Grosso Victório Galli, na época filiado ao PMDB, e arquivada pela Câmara em agosto de 2008. Não se trata de projeto apresentado por Flávio Bolsonaro.
Em meio à repercussão, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusou, neste domingo (27), integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem atuado com o PT para disseminar informação falsa envolvendo sua campanha e Nossa Senhora Aparecida. O senador não apresentou provas da acusação.
Também no domingo, a CNBB divulgou nota negando participação na produção ou disseminação de informações falsas e afirmou que não integra estruturas de partidos ou candidaturas. A entidade declarou que atribuir à Conferência participação em desinformação “sem fatos e provas” atinge injustamente a instituição.


























