O repórter (*) bate à porta de uma luxuosa casa, avaliada em R$ 6 milhões, localizada em uma das comunidades mais ricas dos EUA, na cidade texana de Southlake, cuja tradução literal é Lago Sul, também nome de uma área nobre de Brasília onde há uma outra luxuosa casa, adquirida por R$ 100 mil a menos. Ambas não têm em comum apenas o luxo e, basicamente, a mesma avaliação. São moradias dos irmãos (um aqui, outro lá) Eduardo e Flávio, de sobrenome Bolsonaro, os que tentaram desmentir o indesmentível. Os fatos, infelizmente, anulam seus argumentos. Um jurou jamais ter se encontrado com quem lhe repassou R$ 61 milhões para produzir um filme, digamos, mequetrefe, enquanto o outro chorava as pitangas, dizendo viver de renda passiva, ao que parece se referindo aos juros sobre os R$ 2 milhões recebidos do pai. Mas a moradia na casa texana foi confirmada pelo próprio ao registrar um BO contra o repórter que bateu à sua porta e foi atendido por sua mulher. O primeiro, todos já sabem, se rendeu às evidências. Ao segundo, restará apenas a mesma alternativa.
Esbravejaram, distorceram, previram o caos, mas, enfim, caíram na real. Ou votavam a favor da jornada de 40 horas semanais ou se arriscavam a dar um definitivo adeus ao voto garantidor de um possível novo mandato. Se não foi este o motivo, foi algo bem próximo. De repente, dezenas de deputados federais contrários ao fim da escala 6×1 (chegaram a propor uma, tipo, 7×0, mas a ideia foi abortada ao ser tornada pública) mudaram de lado, incluindo os da bancada mato-grossense, conhecidos por suas posições conservadoras. Apenas 22 foram contra no primeiro turno, reduzidos a 19 no segundo. Entre os 22 “raízes” do primeiro turno, estão 10 catarinenses, cinco paulistas, cinco gaúchos, um maranhense e um roraimense. A pressão agora é no Senado, para onde foi encaminhada a PEC. Do lado contrário, pressionam para que não seja pautada neste ano, enquanto sindicatos e trabalhadores querem-na aprovada imediatamente. Vamos ver como funcionará por lá o efeito “eleição bate à porta”.
Imagine, solidário leitor, ao abastecer o carro ver que uma “tanqueada” média de 45 litros caiu, em alguns meses, de R$ 216 para R$ 183, permitindo uma economia de R$ 33 de uma só vez. Caso faça isso quatro vezes por mês, serão R$ 132. Se for uberista e repetir a operação umas 15 vezes, a economia fica bem maior: R$ 495. Quase quinhentão. Tudo isso, porque o litro do etanol, aqui em Cuiabá, a exemplo do que correu na maioria das capitais brasileiras, caiu de R$ 4,79 para R$ 4,05 (e já tem posto vendendo a R$ 3,96, acabo de ver). O preço caiu, por causa da safra recorde de cana-de-açúcar (709 milhões de toneladas), somada ao etanol de milho. Como a expectativa é de produção massiva nas usinas, há mais deste combustível à disposição. (P.S.: ainda bem que não o país não repetiu a queima, literal, de estoques de café brasileiro, entre 1930 e 1944 no Governo Vargas, para evitar queda nos preços). Quanto à gasolina, a Petrobras aumentou o litro em R$ 0,48, mas o governo deu um subsídio de R$ 0,44 por litro. Portanto, bem menos que na Europa e nos EUA, onde dispararam.
(*) Repórter do Intercept Brasil
Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

























