Alberto Machado, o Beto Dois a Um, é vice-líder do governo Mauro Mendes na Assembleia Legislativa e um dos parlamentares mais bem articulados de Mato Grosso. É conhecido pela presença constante em todas as regiões do estado, seja em eventos esportivos ou culturais, e pelo diálogo aberto com todos os setores. Ele veio da música, do trio sertanejo Dois a Um, para a vida pública, tendo ocupado os cargos de secretário de Cultura e Esporte de Cuiabá e do Estado.
Sua trajetória nos 10 anos mais recentes é marcada pela construção de políticas para a cultura e o esporte. Áreas que abraçou e que o abraçaram, mas que não limitam sua atuação. Como deputado estadual, Beto se envolve em todas as pautas que forem demandadas, do municipalismo à segurança pública.
Com uma capacidade rara de articulação institucional, transita entre prefeitos, secretários, lideranças comunitárias e o Executivo estadual, garantindo que demandas sejam ouvidas e transformadas em ações concretas. Nesta entrevista, as perguntas focam especialmente em cultura e esporte, bandeiras centrais de seu mandato, como forma de o leitor conhecer em profundidade essas áreas que ele defende com tanta paixão e estratégia.
Beto fala sobre a Lei Orgânica da Cultura, o reconhecimento do Festival de Cinema de Cuiabá (Cinemato) como Patrimônio Histórico e Cultural, e do trabalho das Câmaras Setoriais da Cultura e do Esporte, que amplificaram vozes de artistas, atletas e comunidades do interior. Entre exemplos de projetos apoiados, eventos fortalecidos e histórias inspiradoras, ele mostra porque acredita que cultura e o esporte não são gastos, mas investimentos capazes de movimentar a economia, gerar inclusão e transformar vidas.

Deputado, o senhor apresentou o projeto para reconhecer o Festival de Cinema de Cuiabá como Patrimônio Histórico e Cultural de Mato Grosso. Mas, na prática, como transformar o prestígio de um evento como o Cinemato em políticas públicas que cheguem também a pequenas iniciativas culturais espalhadas pelo interior?
Beto Dois a Um – O Cinemato é um símbolo do que a cultura pode fazer, que vai desde formar público, revelar talentos e a movimentar a economia. Quando fui secretário municipal em Cuiabá, já buscava formas de apoiar eventos que tivessem essa força, como o Festival de Siriri e as festas tradicionais. No Estado, à frente da Secel, ampliamos editais e fortalecemos a programação cultural nos municípios, com recursos para prefeituras e coletivos. Agora, como deputado, criei e presidi a Câmara Setorial Temática da Cultura, que construiu a minuta da Lei Orgânica da Cultura com ampla escuta do setor. Esse projeto do Cinemato segue na mesma linha de reconhecer para fortalecer, e usar esse exemplo para abrir caminho para o apoio a iniciativas menores, mas igualmente importantes, no interior.
A Lei da Cultura promete mais orçamento e representatividade. Qual o maior desafio para que essa lei não fique só no papel e, de fato, mude a vida de quem vive de cultura em Mato Grosso?
Beto Dois a Um – A Câmara Setorial que presidi na Assembleia foi histórica. Reunimos artistas, produtores, gestores e conselheiros de todo o estado para discutir desde a vinculação orçamentária ao Fundo de Cultura até a criação do Mecenato Estadual. Isso não nasceu do nada, vem da soma das minhas experiências e de vários agentes em todos os segmentos culturais e do que aprendi na gestão pública, quando percebi que sem planejamento e orçamento fixo a política cultural fica vulnerável. O desafio agora é garantir a implementação, e por isso vamos acompanhar passo a passo a regulamentação e a execução, como fiz na época de secretário, cobrando entregas e respeitando o que foi decidido coletivamente.
Existe uma crítica recorrente de que a cultura ainda é tratada como “custo” e não como investimento. Como o senhor responde a quem defende cortar recursos dessa área para priorizar outras agendas?
Beto Dois a Um – Mostrando, na prática, o que já sabemos. Cultura é investimento. Como secretário municipal, promovemos eventos que lotaram hotéis e restaurantes. Como secretário de Estado, os festivais que apoiamos geraram emprego e renda em várias cidades. Agora, na Assembleia, cada vez que defendo a cultura, trago exemplos: tem eventos que movimentam o turismo, como o Festival Internacional de Pesca de Cáceres, o Festival de Siriri e Cururu, Cavalhada de Poconé, Festrilha, fortalece identidade e ainda ajuda a mostrar a imagem de Mato Grosso para o mundo. Cortar cultura é cortar oportunidades de desenvolvimento e minha vivência me mostra que quando o Estado investe, o retorno é concreto.
O senhor costuma dizer que esporte é política pública e não só lazer. Mas num estado tão grande, como garantir que programas como o Projeto Olimpus cheguem com a mesma força para quem treina no interior, longe dos holofotes da capital?
Beto Dois a Um – Essa é uma pauta que carrego desde a gestão estadual. Quando fui secretário da Secel, trabalhamos para descentralizar os investimentos, levando competições para cidades como Juína, Barra do Garças, Sorriso, Pontes e Lacerda, enfim, para todas as regiões. O Olimpus, por exemplo, precisa seguir essa lógica. No mandato, tenho feito indicações e articulações para que esses programas contemplem de forma equilibrada o interior, garantindo que o apoio chegue para quem treina longe da capital.
Deputado, a gente vê o senhor constantemente em eventos esportivos pelo estado, mas presença sozinha não resolve. Como transformar essa participação em políticas contínuas e quais eventos o senhor pode citar que receberam apoio direto do seu trabalho?
Beto Dois a Um – Eu gosto de estar junto porque esporte é energia, é motivação. Mas eu sei que só aparecer na foto não muda a realidade. Por isso, cada evento que eu participo tem que vir junto com alguma entrega ou articulação. Apoiamos o FIPe em Cáceres com a Arena de Esportes que teve 11 modalidades, Copa Juvenil da Amizade, em Jauru, TAFC Team Águia Footvolley Cup, em Sorriso, Campeonato de jiu-jítsu em Nova Mutum, Olímpiada Indígena Xavante em Ribeirão Cascalheira, Ginástica Artística para Todos em Juína. Estivemos nos Jogos Escolares em todas as regiões. Fortalecemos o Campeonato Estadual de Atletismo em Barra do Garças, que é vitrine para os jovens talentos da região. Minha lógica é simples, se estou lá, é porque também estou trabalhando para que esse evento continue existindo e cresça.
O senhor preside a Câmara Setorial do Esporte, que reuniu desde atletas olímpicos até líderes comunitários. Na prática, o que saiu de concreto dessa escuta e como isso se conecta com projetos de referência, como a Escola de Atletismo de Barra do Garças, que forma campeões e cidadãos há décadas?
Beto Dois a Um – Essa Câmara Setorial, assim como a da Cultura, tem sido fantástica. A gente colocou na mesma mesa o professor de escolinha de bairro e o atleta olímpico, e ouviu todo mundo. Saíram propostas importantes, como a criação de um fundo específico para esporte, regras mais claras para distribuição de recursos e incentivo para projetos de base no interior. E quando eu falo de base, tenho que citar de novo o exemplo da Escola de Atletismo de Barra do Garças, do professor Sivirino e da professora Silvania. Eles formam atletas há décadas, mas o que mais formam são cidadãos. O que a Câmara Setorial faz é dar visibilidade e respaldo político para que exemplos como o deles recebam mais apoio e possam se multiplicar pelo estado.





















