Ednilson Aguiar / Greenpeace

Em um relatório publicado nesta quarta-feira (05) pela organização não governamental Greenpeace Internacional, a JBS, empresa brasileira de produção de carne, é acusada de descumprir acordo ambiental de proteção de áreas de conservação da Amazônia do Cerrado. O documento, que pede que empresas da União Europeia deixem de comprar carne brasileira fruto de desmatamento, cita fazendas de Mato Grosso como exemplos de violação de direitos humanos e leis ambientais.
No relatório, intitulado “How JBS is still slaughtering the Amazon” (Como a JBS continua devorando a Amazônia, ainda sem tradução para o português), a organização aponta que a JBS, atualmente uma das maiores empresas de alimentos do mundo, ainda mantém invasores e desmatadores em seu ciclo de produção de carne bovina, desrespeitando um acordo internacional assinado 2009.
O documento avalia o impacto que tem a manutenção desse tipo de produção para o meio ambiente e consequentemente para os seres humanos. A intenção da publicação é pressionar para que grandes redes de supermercados de países europeus deixem de comprar carne bovina de empresas envolvidas em casos de devastação ambiental.
“A demanda de carne industrial e de alimentos utilizados para criar esses animais afeta a proteção ambiental e causa impactos sociais. É essencial que os países que importam essa carne usem seu poder comercial e de compra para ouvir o interesse público. A indústria global de carne não sacrifica apenas a vida das pessoas hoje, mas sacrifica o futuro”, traz um trecho da publicação.
Christian Braga/Greenpeace

9 de julho em Alta Floresta (MT)
A organização ainda cita a falta de transparência de agências sanitárias estaduais como o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA) em dados relacionados a violações ambientais e embargos em fazendas; trabalho escravo; invasão de terras indígenas, Unidades de Conservação (UC) e outras terras públicas. A última vez que esses dados foram compilados e divulgados pelo INDEA foi em 2015.
Fazendas fornecedoras da JBL em Mato Grosso
O relatório aponta ainda um estudo realizado por um grupo de cientistas internacionais que constatou que cerca de 1/5 de toda a carne bovina e da soja exportada do Brasil para a União Europeia em 2017 pode ter sido produzida em terras desmatadas da Amazônia ou do Cerrado. Dentro dos estados do Pará e de Mato Grosso, neste mesmo ano, cerca de 60% do gado fornecido aos matadouros veio provenientes de propriedades rurais suspeitas de envolvimento com desmatamento.
Entre as fazendas citadas pela publicação está a Barra Mansa, em Nova Lacerda (a 541 km de Cuiabá), que pertence Marcos Antonio Assi Tozzati, sócio do chefe da Casa Civil do governo Michel Temer, Eliseu Padilha. A propriedade forneceu pelo menos 6.000 cabeças de gado à JBS entre janeiro de 2018 e junho de 2019. Tozzati é acusado pelo Ministério Público de Mato Grosso de ter limpado ilegalmente pelo menos 2.097 hectares no Parque Estadual Ricardo Franco, considerado uma Unidade de Conservação com alto valor de biodiversidade.
























