Vasco da Gama

O Estádio de São Januário entrou oficialmente para a galeria de patrimônios do Rio de Janeiro. O prefeito Eduardo Paes sancionou a Lei, de autoria dos vereadores Tarcísio Motta, Paulo Pinheiro e Renato Cinco, todos do PSOL, que reconhece a casa do Vasco da Gama como bem de interesse histórico, cultural, desportivo e social para o município. O projeto de lei, aprovado em março pela Câmara Municipal do Rio, foi publicada pelo Diário Oficial na quinta-feira (15).
A homenagem que muda o status da Colina Histórica não implicará no plano de reforma do estádio, que contempla a preservação da história fachada da sede do clube, tombada pela Subsecretaria de Patrimônio Cultural , Intervenção Urbana, Arquitetura e Design do Rio. Em 2019, Alexandre Campello, ex-presidente do clube, anunciou o acordo com a WTorres, responsável pela construção do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, pelo projeto de modernização de São Januário.
Orgulho do torcedor – Casa da Seleção
Se tem uma coisa de que o vascaíno se orgulha é o seu estádio. O complexo de São Januário, como é popularmente conhecido o Estádio Vasco da Gama, completou 94 anos no dia 21 de abril. Com uma das histórias mais bonitas de criação de clubes do Brasil, o torcedor cruzmaltino tem participação direta na construção do patrimônio. Já que a Colina Histórica foi viabilizada através do esforço de associados e adeptos comuns da instituição.
Sendo que mais um motivo de orgulho para o Vasco e sua “imensa torcida bem feliz” é que São Januário já foi a casa da Seleção Brasileira.
Fundado em 1927, muito antes do Maracanã, o estádio do Vasco já foi um dos principais palcos de futebol da América do Sul. Desta forma, do fim dos anos 1920 até a inauguração do Maior do Mundo, em 1950, a Canarinho mandou seus jogos no estádio da Rua General Almério de Moura, no bairro do Rio de Janeiro que leva o nome do clube. Na Colina Histórica, a Seleção Brasileira viveu dias de glórias. O auge foi a final da Copa América de 1949, quando a equipe derrotou o Paraguai por 7 a 0 e conquistou o título.
Vasco da Gama

No total, são 22 partidas da Seleção Brasileira em São Januário, com 18 vitórias, um empate e apenas três derrotas. Dentre as goleadas, uma de destaque é o 6 a 2 na Argentina, em 20 de dezembro de 1945, pela Copa Roca. Este é o triunfo com maior diferença de gols da Canarinho sobre a Alviceleste.
Após os anos 1950, a Seleção atuou em São Januário em mais duas oportunidades. Foram dois amistosos. Em julho de 1989, a equipe bateu o Japão por 1 a 0 e, quatro anos depois, no mesmo mês, a Canarinho recebeu o Paraguai e também saiu com a vitória, pelo placar de 2 a 0.
Mesmo sem jogar, o Estádio Vasco da Gama voltou a receber a Seleção Brasileira no ano de 2013. Na preparação para a Copa das Confederações, disputada em território nacional, a equipe treinou na Colina Histórica. Como de costume, o palco cruzmaltino deu sorte ao time Canarinho, que conquistou o título da competição.
história
Há 94 anos, o Estádio São Januário era inaugurado no Rio de Janeiro, com recursos dos vascaínos, que desde os primórdios fizeram seu clube competitivamente relevante na bola entre os times ou na alma. Afinal, poucos locais carregam uma história tão relevante para o futebol brasileiro como este estádio, mas por quê?
Construído após uma campanha realizada para arrecadar contribuições dos sócios e torcedores, São Januário, quando inaugurado, foi considerado o maior estádio do mundo até 1930, ao ser inaugurado o Estádio Centenário, em Montevidéu – URU, que foi destinado para a primeira Copa do Mundo.
A Construção do “Templo” e a resposta contra a elitização do Futebol
Nos primeiros anos de futebol do clube, Vasco da Gama usou como estádio o campo de c(que depois acabou se tornando a casa do America – RJ), mas desde a ida para a primeira divisão, em 1923, a diretoria vascaína já traçava planos para a construção de um estádio próprio. Contudo, a ideia só foi levada mesmo a cabo após surgir a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos), liga formada por clubes da elite carioca e responsável por gerir o futebol do Rio de Janeiro na época, tendo como um dos motivos argumentados para a não inclusão do Vasco da Gama na nova liga a falta de um estádio próprio para o clube.
Para não se “curvar” aos polêmicos adversários aristocráticos, que comumente não aceitavam pessoas de certas classes sociais, para não se dizer outras coisas, e que por tabela retiraram o Vasco e outros clubes da jogada do, então badalado, Campeonato Carioca, foi-se então dado o pontapé para a construção de São Januário. Começava ali uma campanha intensa de arrecadação de verbas.
São Januário foi erguido graças aos próprios vascaínos, que lideraram a campanha de arrecadação de recursos, com os torcedores que arrecadaram 685 contos e 895 mil réis para comprar o terreno em São Cristóvão, escolhido pelo Vasco por ser parecido com seu local de fundação, na zona portuária do Rio, e 2.000 contos de réis somente para a construção do estádio.
Inauguração: Vasco X Santos
Dez meses após o início da sua construção, o estádio vascaíno foi finalmente erguido. No jogo inaugural, dia 21 de abril de 1927, o Vasco recebeu do Santos uma potência paulista da época. O jogo acabou com vitória dos paulistas por 5×3, o gol inaugural do estádio foi feito pelo santista Evangelista, aos 20 minutos do primeiro tempo. O primeiro gol vascaíno foi marcado pelo jogador Negrito aos 23 minutos do primeiro tempo. O placar, no entanto, ficou ofuscado pelo feito vascaíno, de erguer o maior palco do futebol da América do Sul na época – ainda sem a arquibancada em curva.
A história continua sendo escrita
Em 2020, o Vasco escreveu mais um capítulo importante na sua história, contando com a participação ativa de seus torcedores e, claro, de seus patrocinadores como o Banco BMG e a NetBet, empresa de apostas online e jogos como blackjak, sendo adições às suas parcerias que ajudaram o clube a construir o seu próprio CT atual, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Vale ressaltar que, assim como São Januário, o Centro de Treinamento vascaíno só teve sua construção viabilizada graças às doações de seus torcedores, que se mobilizaram em várias campanhas na web para arrecadar aproximadamente R$5,8 milhões. O torcedor Rafael Caseira, o primeiro doador de todos, ganhou uma camisa do clube como forma de homenagem.
O estádio é reconhecido por lei como de interesse histórico, cultural, desportivo e social para o município. Sua fachada, em estilo neocolonial é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Vasco da Gama

A fachada em estilo neocolonial é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Relembre alguns momentos históricos de São Januário, que fez 94 anos em abril
Por Gabriel Rodrigues
No dia 21 de abril de 2021 São Januário completou 94 anos de existência. O estádio foi construído pelos próprios torcedores do clube, tendo sido sempre um símbolo de resistência, e viveu inúmeros momentos inesquecíveis. Além de ser marcante para os vascaínos, o lugar concentra muita história sobre o Brasil.
Veja abaixo alguns momentos lindos da história de um dos maiores estádios do mundo:
1. Colina histórica já foi palco das escolas de samba no Rio de Janeiro
Nas décadas de 30 e 40, São Januário era o local onde se realizavam os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro. O último desfile no estádio ocorreu em 1945 com vitória da Portela, na época apelidada de o Expresso da vitória do Samba.
Divulgação

2. A maior goleada do Vasco no Caldeirão
No embalo do Expresso da vitória, em 1947 o Gigante ganhou por 14×1 da equipe do Canto do Rio. Tal vitória até hoje é a mais elástica que o estádio já presenciou, além de ser o maior placar da história do futebol profissional carioca.
Divulgação

3. Virada histórica sobre o Flamengo
No Campeonato Carioca vencido pelo Vasco em 1949, um dos jogos mais marcantes dessa conquista foi uma virada épica sobre o maior rival em São Januário. Flamengo estava vencendo por 2×0, quebrando uma longa sequência sem ganhar do Gigante. Porém, a alegria rubro negra não durou muito. O Cruzmaltino enfileirou 5 gols e saiu de São Januário com um placar de 5×2, sendo até hoje a maior virada da história do “Clássico dos Milhões”.
Divulgação

4. Importância política na era Getúlio Vargas
Entre 1940-1950, o estádio era o local onde ocorriam os eventos do então presidente Getúlio Vargas. Sempre em 1° de maio, dia do trabalhador, o presidente da república utilizava São Januário como palanque para anunciar suas medidas trabalhistas.
Divulgação

5. Gol 500 de Roberto Dinamite
Em 1982, o maior ídolo da história do Vasco fazia mais uma proeza em São Januário. Com um lindo gol de falta diante do Volta Redonda, Roberto marcava seu gol de número 500 na carreira.
Divulgação

6. Último gol de Roberto Dinamite como atleta
O maior ídolo da história não só marcou seu gol 500 no estádio como também fez seu último gol como jogador na Colina histórica. No ano de 1992, Vasco venceu o Goytacaz por 1×0. Gol foi marcado por Dinamite, este que viria a ser a última vez que balançaria as redes em sua carreira.
Divulgação

7. Edmundo 6 x 0 no União São João
Em 1997, o ídolo Edmundo fazia história sendo o principal jogador do tricampeonato Brasileiro. Um dos jogos mais marcantes da conquista foi uma goleada de 6×0 sobre o União São João em pleno Caldeirão. Nessa partida, o animal marcou os 6 gols da vitória.
Divulgação

8. Final da Libertadores de 1998
No ano magico de 1998, o território hostil tremeu ao receber o primeiro jogo da final da Libertadores. Estádio ficou pequeno para os mais de 36 mil vascaínos vibrarem com a vitória de 2×0 contra o Barcelona Guayaquil.
9. Gol 1000 do Baixinho
O segundo maior artilheiro do Vasco, Romário, entrou para história de São Januário em 2007. Em um jogo contra o Sport pelo Campeonato Brasileiro, o craque marcou seu milésimo gol na carreira. Feito teve tanta relevância que o jogador ganhou uma estátua no estádio.
Divulgação

10. Caldeirão tremeu em 2011 na Copa do Brasil
Na final da Copa do Brasil conquistada pelo Vasco, São Januário recebeu o primeiro jogo da final contra o Coritiba. Com uma vitória vascaína de 1×0, o estádio viu mais um dos momentos gloriosos da história do clube.
Divulgação

Veja o texto do projeto de lei 263/2017, assinado em 1º de junho de 2017, pelos vereadores Tarcísio Motta, Renato Cinco e Paulo Pinheiro
“O Estádio de São Januário, inaugurado em 1927, é patrimônio histórico da cidade do Rio de Janeiro e um dos mais emblemáticos templos do futebol mundial. De notável arquitetura neocolonial, palco de alguns dos mais importantes eventos esportivos, culturais e políticos do país durante o século XX, a casa do Club de Regatas Vasco da Gama é também um símbolo da luta contra o racismo no esporte e até hoje um exemplo de espaço popular de lazer no subúrbio carioca.
Sua construção remonta à perseguição que o Vasco da Gama sofreu após ser campeão carioca no ano de 1923 com uma equipe formada por atletas negros, mestiços e de origem humilde. Na ocasião, o time bateu, logo em seu primeiro ano na primeira divisão, os clubes grandes da época, então formados por jovens de famílias ricas da cidade.
Para mascarar motivações racistas e elitistas, dirigentes que defendiam a exclusão do Vasco do campeonato alegaram para tanto, entre outras coisas, a falta de um estádio próprio. Foi o que motivou uma histórica campanha de arrecadação que movimentou a capital federal e envolveu milhares de associados e torcedores. Em tempo recorde, ao pé de uma colina no bairro de São Cristóvão, os vascaínos ergueram aquele que durante alguns anos foi o maior estádio de futebol das Américas.
A partir de então, até a construção do Maracanã, em 1950, São Januário foi o principal estádio do Rio de Janeiro e testemunhou momentos marcantes do nosso esporte. Além de receber jogos de grandes times brasileiros e estrangeiros, foi casa da Seleção Brasileira, que se sagrou ali campeã da Copa Roca de 1945, das Copas Rio Branco de 1947 e 1950, e do Campeonato Sul Americano (a atual Copa América) de 1949. Em 1998, o Vasco da Gama fez em São Januário uma das partidas finais da Libertadores da América, principal competição de clubes do continente. Em 2007, o atacante Romário marcou ali seu milésimo gol no futebol.
Vários grandes jogadores que defenderam o Brasil em Copas do Mundo foram formados ou se consagraram em São Januário. Além do próprio Romário, nomes como Leônidas da Silva, Fausto, Domingos da Guia, Barbosa, Danilo Alvim, Ademir de Menezes, Vavá, Bellini, Roberto Dinamite, Bebeto, Edmundo e Juninho Pernambucano tiveram por lá momentos fundamentais de suas carreiras. Ídolos de nosso atletismo olímpico como Adhemar Ferreira da Silva também adotaram o estádio como espaço de treinamento. Até hoje o Vasco da Gama se notabiliza como clube revelador de grandes jogadores, mantendo nas dependências de São Januário um alojamento e um colégio para a formação dos adolescentes que vêm de diversos lugares do país e encontram no futebol uma oportunidade.
São Januário também testemunhou importantes momentos de nossa história política e cultural. Nas décadas de 30 e 40, o presidente Getúlio Vargas costumava arrastar multidões para seus comícios no estádio. Em um deles, no dia 1º de maio de 1940, anunciou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as primeiras leis trabalhistas do Brasil. Naquele mesmo ano, a “Colina Histórica” – como também é conhecido o estádio – foi o palco da apresentação de um coral composto por mais de 40 mil estudantes e regido pelo maestro Heitor Villa-Lobos. Cinco anos mais tarde, durante o processo de redemocratização do país, Luis Carlos Prestes reuniu mais de 100 mil pessoas em um comício que foi fundamental para trazer o Partido Comunista de volta à legalidade. Também em 1945, o estádio recebeu o desfile das escolas de samba, vencido naquele ano pela Portela.
Percebe-se, portanto, a grande importância histórica, cultural, desportiva e social do Estádio de São Januário para o município do Rio de Janeiro. Localizado no subúrbio, em uma região que reúne espaços como a Feira de São Cristóvão, a Quinta da Boa Vista, o CADEG, a quadra da Estação Primeira de Mangueira e o Maracanã, São Januário possui até hoje grande centralidade na vida esportiva e cultural da cidade, sendo um dos principais destinos de lazer de cariocas de diferentes classes sociais. Ao aprovar essa lei, a Câmara Municipal de Vereadores fará um justo reconhecimento e zelará pelo patrimônio do Rio de Janeiro”.
Fontes: CBF / O Dia / Paponacolina.com.br / ISTOÉ





















