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TRIBUNAL DO JÚRI

Ex-marido nega participação no assassinato de Raquel Cattani

Romero disse que não sabe por qual motivo o irmão dele teria assassinado Raquel. Já o acusado de executar o crime ficou em silêncio no julgamento.

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O ex-marido da produtora rural Raquel Cattani, Romero Xavier Mengarde, negou durante o Tribunal do Júri nesta quinta-feira (22.01) que tenha qualquer participação no assassinato dela. Ele é acusado de planejar o crime e contratar o próprio irmão, Rodrigo Xavier Mengarde, para executar o assassinato. Ambos são réus no julgamento da morte de Raquel, que era filha do deputado estadual Gilberto Cattani. O Tribunal do Júri é presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, no Plenário do Fórum de Nova Mutum (MT).

Ao ser interrogado no julgamento, Romero deu sua versão sobre os fatos. No momento do crime, alegou que estava bebendo cerveja com um grupo de pessoas, o que o Ministério Público e a investigação apontaram como um álibi produzido pelo acusado para tentar esconder a participação dele no crime.

Romero Xavier Mengarde afirmou também que não sabe por que o irmão teria matado Raquel Cattani. Disse que, quando conversou com Rodrigo, apenas comunicou que o relacionamento havia terminado e que havia se mudado, sem tratar de qualquer plano ou motivação. O irmão dele, que é acusado de ser o executor do crime, optou por ficar em silêncio no julgamento e não respondeu às perguntas da acusação.

Mãe se emociona

Durante o julgamento, os jurados ouviram o depoimento da mãe da vítima, Sandra Cattani. Foi ela quem encontrou a filha morta dentro da residência. Sandra explicou a rotina da família e que estranhou o fato da filha não ter dado notícias na manhã do crime, como fazia habitualmente.

Ao procurar pela filha na residência de Raquel, encontrou a filha caída e imaginou que ela pudesse ter caído ou passado mal. Mas ao se aproximar, percebeu que Raquel estava morta.

No depoimento no Tribunal do Júri, a mãe de Raquel também defendeu que os réus sejam condenados. “O mínimo que espero é que sejam condenados e peguem a pena máxima, mas isso não vai trazê-la de volta”, disse, emocionada.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Raquel Cattani foi assassinada a facadas em sua própria residência, no dia 18 de julho de 2024. Rodrigo, ex-cunhado dela, é acusado de ser o autor dos golpes que mataram a vítima. Já o ex-marido dela, Romero, seria o autor intelectual do crime, num caso de grande repercussão pública.

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O julgamento seguirá o rito previsto no Código de Processo Penal, com a atuação do Ministério Público, das defesas, depoimentos das testemunhas e, por fim, sairá a decisão do Conselho de Sentença, formado por sete jurados.

Foto: Alair Ribeiro/TJMT

O caso

Raquel Cattani foi assassinada com golpes de faca dentro da residência dela, no assentamento Pontal do Marape, na zona rural de Nova Mutum, em julho de 2024. Segundo a Polícia Civil, Romero Xavier pagou R$ 4 mil ao irmão Rodrigo Xavier para matar Raquel. “Tanto na entrevista quanto em interrogatório, ele afirmou categoricamente que recebeu R$ 4 mil para cometer o crime, e inclusive já havia utilizado R$ 1.500 para comprar um carro”, contou o delegado Guilherme Pompeo, em entrevista coletiva à época do crime.

Durante a análise no local do crime, um investigador notou que a janela do quarto dos filhos da vítima havia sido arrombada. Diante dessa evidência, foi solicitada a extração de eventuais impressões digitais, que foi realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec).

A equipe da Polícia Civil apreendeu um televisor que continha também algumas pegadas. “Questionamos o porquê alguém tentaria levar uma televisão em uma motocicleta. Tal evidência sugeriu que aquele televisor foi deixado de forma proposital para fora da casa com o intuito de complicar a investigação”, acrescentou o delegado.

As diligências prosseguiram e, diante da desconfiança de uma cena que poderia ter sido armada, a atenção foi voltada ao ex-marido, Romero Xavier, que mantinha comportamento possessivo e não aceitava o término da relação com a vítima.

Em novos levantamentos, a Polícia Civil descobriu que o irmão de Romero, o réu Rodrigo Xavier, tinha diversas passagens por furtos e outros crimes, além de ter sido usuário de entorpecentes no passado.

Confissão e prisão

Equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos e da Regional de Nova Mutum foram até o endereço de Rodrigo, na cidade de Lucas do Rio Verde. Após horas de vigilância, ele chegou na residência e, ao ser entrevistado, apresentou muito nervosismo com a presença dos policiais.

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Da porta que estava aberta, as equipes observaram um frasco de perfume feminino, em cima de uma bancada. Diante da evidente suspeita, ele confessou o homicídio de Raquel Cattani.

Na casa foram encontrados frascos de perfumes, um aparelho de som, um cinto, um porta-celular e uma faca, todos os objetos pertencentes à vítima.

A polícia reuniu informações que esclareceram que Rodrigo praticou o crime a mando do irmão, Romero. E levou alguns objetos da casa para simular um latrocínio e embaraçar as investigações da Polícia Civil.

O delegado Guilherme Pompeo destacou ainda que durante a prisão de Rodrigo foi verificada que a bota que ele utilizava no momento possuía total semelhança com a pegada encontrada na televisão na casa da vítima.

Simulou comoção

O autor intelectual do homicídio de Raquel trouxe o irmão no próprio carro e o deixou escondido nas proximidades do sítio PH, de propriedade de Raquel Cattani. Ao longo do dia, Romero almoçou com o ex-sogro e, inclusive, chorou na frente dos familiares da vítima. Após almoçar com o sogro, levou os filhos do casal para Tapurah a fim de criar o álibi e afastá-los do crime planejado.

Durante a tarde do dia 18 de julho, ele chamou algumas pessoas com quem nem tinha muita convivência para beber e assar carne. No período da noite, foi a três boates em Tapurah para reforçar o álibi de que estaria na cidade e, assim, não seria considerado o principal suspeito.

Por outro lado, Rodrigo ficou à espreita da vítima até ela chegar ao sítio. Romero sabia da rotina de Raquel e de forma planejada havia retirado o casal de filhos da residência anteriormente.

Ao chegar no sítio por volta de 20 horas, a vítima foi atacada com uma faca e morreu no local. Em seguida, Rodrigo roubou alguns objetos da casa, quebrou a televisão na parte de fora da casa e levou a moto da vítima com destino a Lucas do Rio Verde.

O executor do crime jogou a moto, o celular e a faca do crime em um rio da região.

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