O ex-secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, decidiu usar suas redes sociais para anunciar nesta terça-feira (09.06) que lançará um livro: “Sem tempo para respirar”. A obra, segundo ele, deve retratar o período em que Figueiredo comandou a Secretaria Estadual de Saúde (SES) no enfrentamento à covid-19.
“Me entreguei por inteiro para escrever cada capítulo, revivi os momentos críticos, relembrei os aprendizados e me emocionei até mais do que na época dos fatos. Além de tudo, acredito que eu, os servidores da SES-MT e os ‘heróis de branco’, como eu chamo os profissionais da saúde, aprendemos lições valiosas e deixamos um legado que precisa ser compartilhado”, escreveu Figueiredo ao anunciar a obra.
Apesar do tom ufanista, a gestão de Figueiredo foi marcada por falhas graves, além de escândalos de corrupção de âmbito nacional. Em um dos casos, revelado pelo site The Intercept, médicos investigados na Operação Espelho defendiam o fim do lockdown para que mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) fossem abertos e, com isso, as empresas terceirizadas lucrassem mais. Em uma as conversas interceptadas pela Polícia Civil, no âmbito da operação, médicos mostravam proximidade com Figueiredo.
O secretário também está envolto em denúncias e suspeitas de corrupção. Ele é investigado na Operação Panaceia, deflagrada pela Polícia Federal. Relatórios de inteligência financeira apontaram transações bancárias consideradas incompatíveis com a capacidade econômico-financeira declarada pelo secretário. As movimentações suspeitas, registradas entre março de 2021 e outubro de 2023, envolvem transferências financeiras e depósitos em espécie entre o secretário, seus filhos e terceiros.
A Polícia Federal também apura o suposto envolvimento do gestor em um esquema de desvios de verbas decorrentes de contratos com suspeita de fraude em hospitais públicos do Estado. Entre os pontos analisados nas investigações está uma operação de Cédula de Crédito Bancário no valor de R$ 15 milhões, utilizada para antecipar repasses do Ministério da Saúde.
Os resultados na pandemia também não são positivos. Em razão da política de abertura do comércio, defendida pelo governador Mauro Mendes (União), Mato Grosso chegou a figurar como o segundo estado com mais índices de mortes durante a pandemia, atrás apenas do Rio de Janeiro.
Ao todo, foram mais de 724 mil contaminações registradas e cerca de 14,8 mil mortes em decorrência da doença. Os boletins da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apontam que os momentos de maior pressão no sistema hospitalar ocorreram em duas ondas principais: entre os meses de maio e julho de 2020, e posteriormente no primeiro semestre de 2021, quando o estado chegou a registrar taxas de ocupação de UTIs públicas acima de 97%.
Apesar de tratar os servidores como “anjos de branco”, Figueiredo fez parte de um governo que, em sete anos, não concluiu os hospitais regionais prometidos, recusou-se a pagar o Reajuste Geral Anual (RGA) de categorias imprescindíveis para o Sistema Único de Saúde (SUS), como enfermeiros e agentes de saúde, além de ter se recusado a convocar a maior parte dos aprovados em concurso público feito pela SES, optando por um modelo de contratação de mão de obra terceirizada que fez com que o estado de Mato Grosso chegasse à marca histórica de possuir mais servidores terceirizados do que efetivos.























