
O Cine Teatro Cuiabá exibe nesta terça-feira (9), às 18h, o filme Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), da cineasta belga Chantal Akerman. A obra foi escolhida em 2022 como o melhor filme de todos os tempos na pesquisa “Greatest Films of All Time”, organizada pela revista britânica Sight & Sound.
Com 201 minutos de duração, o longa acompanha três dias na rotina de uma viúva de classe média em Bruxelas, interpretada por Delphine Seyrig, e é considerado uma das mais radicais representações do espaço e do tempo no cinema. “Akerman apresentou imagens monumentalmente compostas e meticulosamente observadas da rotina doméstica de uma mulher”, escreveu o crítico Richard Brody, na New Yorker.
O filme volta ao circuito brasileiro em versão restaurada, com distribuição da Filmicca, plataforma nacional dedicada ao cinema autoral. A sessão em Cuiabá integra o circuito de pré-estreias antes da reestreia oficial no país, marcada para 11 de setembro. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). A classificação indicativa é de 14 anos.
Impacto histórico
Exibido pela primeira vez na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes em 1975, quando Akerman tinha 24 anos, Jeanne Dielman é considerado uma obra que revolucionou a forma como o cinema retrata a vida doméstica das mulheres. Para cineastas contemporâneos, trata-se de um marco. Claire Denis definiu o filme como “uma aula de direção”, Céline Sciamma o chamou de “poderoso e radical”, e Gus Van Sant o classificou como “revolucionário”.
Mulheres no cânone
Na pesquisa da Sight & Sound, realizada a cada dez anos desde 1952, a vitória de Jeanne Dielman representou uma virada histórica: foi a primeira vez que um filme dirigido por uma mulher ocupou o topo da lista. Até então, os primeiros lugares eram dominados por Um corpo que cai (1958), de Alfred Hitchcock; Cidadão Kane (1941), de Orson Welles; e Viagem a Tóquio (1953), de Yasujiro Ozu.
Em 2022, onze filmes dirigidos por mulheres entraram no ranking dos cem melhores, incluindo Cléo das 5 às 7 (1962), de Agnès Varda, e Retrato de uma jovem em chamas (2019), de Céline Sciamma.
Próximas sessões
O projeto Encontros com Cinema, responsável pela mostra, terá outras duas exibições em setembro: na quarta (10), às 19h30, o curta A casa de todas as águas, de Paula Dias e Juliana Segóvia, com entrada gratuita; na terça (16), às 19h30, a versão restaurada de Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1994), de Carla Camurati.


























