O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, ameaçou prender Jair Bolsonaro caso o então presidente insistisse em articular um golpe de Estado para tentar anular os resultados das eleições de 2022. Este é o teor de um trecho do depoimento do brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, à Polícia Federal no inquérito que apura a tentativa de golpe.
Baptista Júnior disse que presenciou o embate entre o presidente Bolsonaro e o então comandante do Exército durante uma reunião no Palácio da Alvorada. Naquele encontro, Bolsonaro apresentou a chamada “minuta do golpe” aos chefes das Forças Armadas.
Em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 1º de março, o próprio general Freire Gomes afirmou que Bolsonaro convocou reuniões no Palácio do Alvorada, após o segundo turno, e “apresentou hipóteses de utilização de institutos jurídicos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem), estado de defesa e sítio em relação ao processo eleitoral”.
A minuta golpista apreendida pela Polícia Federal teria sido apresentada em um encontro na residência oficial no dia 7 de dezembro de 2022, segundo o ex-comandante do Exército. “Bolsonaro informou que o documento estava em estudo e depois reportaria a evolução aos comandantes”, diz um trecho do termo de depoimento.
O general também contou que uma versão diferente do documento foi apresentada em outra reunião, desta vez com os chefes das Forças Armadas e o ministro da Defesa. O rascunho, segundo Freire Gomes, previa a decretação do estado de defesa e a criação de uma comissão de regularidade eleitoral para apurar a “conformidade e legalidade” das eleições. Os dois pontos estavam presentes na minuta apreendida na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que negou saber a autoria do documento.
Freire Gomes alegou à PF que “sempre deixou evidenciado ao então presidente que o Exército não participaria da implementação desses institutos visando reverter o processo eleitoral” e que Bolsonaro “não teria suporte jurídico” para anular o resultado da eleição. O chefe da Marinha, almirante Almir Garnier, teria se colocado à disposição do ex-presidente, de acordo com o general.
























