Ricardo Stuckert

Lula está a caminho de vencer a eleição presidencial de outubro. Seu grande trunfo é fazer alianças mesmo com inimigos políticos do passado. Ele não confunde apoio político com amor, escreve Thomas Milz, no site DW Brasil.
Internamente, Lula terá outras dificuldades para administrar a sua campanha além do bolsonarismo radical: o petismo radical, que rechaça as alianças com os adversários de ontem e repudia retribuir apoio às forças conservadoras que representam o capitalismo. Forças que, neste momento histórico, estão alinhadas com Lula no combate ao autoritarismo de Bolsonaro que ameaça o país. As alianças construídas precisarão ser mantidas, sem abandonar os aliados à própria sorte. O “projeto maior” do PT, eleger Lula, será prejudicado caso as alianças nos estados sejam devoradas por traições e abandonos.
O petismo radical é anti-capitalista. Lula usa o capitalismo para desenvolver políticas de combate à pobreza, de combate à desigualdade social. A pauta do lulismo é derrotar o bolsonarismo com o apoio da direita e do centro democrático. A pauta do petismo radical é derrotar o capitalismo.
Na campanha, os bolsonaristas não vão perder nenhuma oportunidade de usar o petismo radical para reverberar e colocar uma cunha nestas alianças costuradas por Lula e pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB). Nada melhor do que fustigar o adversário usando o “fogo amigo”. Cada crítica pública e cada gesto político visível do petismo radical que abale as alianças firmadas por Lula servirão, na verdade, para fragilizar o candidato a presidente do PT.





















