
Mato Grosso registrou, em 2025, o maior número de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no país e liderou os casos de conflitos por terra na região Centro-Oeste, segundo o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, lançado nesta terça-feira (19.05) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Ao todo, 606 pessoas foram libertadas de situações de trabalho escravo no estado ao longo do ano. O número coloca Mato Grosso no topo do ranking nacional. Em um único caso, no município de Porto Alegre do Norte, 586 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes durante a construção de uma usina de etanol. Outro resgate ocorreu em Nova Maringá, onde 20 pessoas atuavam no corte e empilhamento de madeira.
Além dos dados sobre trabalho escravo, o relatório aponta que o estado contabilizou 63 conflitos no campo em 2025, envolvendo quase 54 mil pessoas. A maior parte das ocorrências está relacionada a disputas por terra, que somaram 53 casos e atingiram 11.841 famílias. Entre os principais impactados estão assentados, posseiros e comunidades quilombolas.
A região Norte de Mato Grosso concentra o maior número de conflitos, com registros em 26 municípios. No total, 48 cidades do estado tiveram algum tipo de ocorrência, alta de 14,3% em relação a 2024.
O levantamento também destaca o crescimento de situações de violência associadas aos conflitos. Foram contabilizados 200 registros de pistolagem, incluindo ameaças, intimidações e atuação de grupos armados. Outro indicador que chamou atenção foi o aumento expressivo das ameaças de despejo judicial, que chegaram a 4.701 casos, mais de três vezes o registrado no ano anterior.
Os conflitos por água também avançaram. Em 2025, foram oito ocorrências no estado, afetando diretamente 1.491 famílias. As disputas envolvem, principalmente, acesso a recursos hídricos em áreas pressionadas pelo avanço da atividade agrícola, além de casos de barramento, contaminação e restrição de uso por comunidades tradicionais.
No cenário nacional, o relatório aponta queda de 28% no número total de conflitos no campo, que passou de 2.207 em 2024 para 1.593 em 2025. Apesar da redução, houve aumento da violência: o número de assassinatos no campo dobrou, de 13 para 26 vítimas, e também cresceram os casos de trabalho escravo rural.
O lançamento do relatório ocorre às 19h desta terça, no auditório da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá.
























