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MATO-GROSSENSE PIONEIRA

No centenário de May do Couto, relembre como professora e política marcou a história de Cuiabá

PNB Online conversou com Telma Couto, sobrinha de May do Couto, que compartilhou lembranças da tia.

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No centenário de May do Couto, relembre como professora e política marcou história de Cuiabá (Foto: Arquivo Pessoal)
No centenário de May do Couto, relembre como professora e política marcou história de Cuiabá (Foto: Arquivo Pessoal)

Se estivesse viva, Ana Maria do Couto, mais conhecida como May do Couto, completaria 100 anos neste sábado, 13 de setembro de 2025. Professora, esportista, advogada, promotora da Justiça Militar, jornalista e primeira mulher a presidir a Câmara Municipal de Cuiabá, May é uma das figuras femininas mais marcantes da história de Mato Grosso.

A sobrinha Telma Couto, 68, tinha 14 anos quando perdeu a tia em 1971, vítima de câncer. Mais de cinco décadas depois, ainda guarda lembranças vívidas da convivência com a pioneira, compartilhadas com o PNB Online.

Telma Couto guarda com carinho lembranças da tia (Foto: Arquivo Pessoal)

“Ela foi como uma segunda mãe para mim”, conta Telma. “Lembro do dia em que, para me ensinar a valorizar o dinheiro, me pediu que escolhesse entre lavar o carro dela ou arrumar o escritório. Eu queria dinheiro para ir ao cinema, lavei o carro e comprei meu ingresso. Desde então, aprendi que nada vem de graça”.

Entre as recordações afetivas, Telma narra um episódio da infância em que parentes tentaram assustá-la com um “fantasma”. Ao chegar em casa, May repreendeu os adultos. “Fantasma não existe. Mas, se existir, que tenha medo de mim”. Naquela noite, dormiu abraçada à sobrinha até que ela conseguisse pegar no sono.

Pioneirismo em múltiplas áreas

Filha de família simples, May deixou Cuiabá para estudar no Rio de Janeiro com bolsa de estudos. Ali se destacou no esporte: em 1944, foi campeã carioca de levantamento de peso pelo Fluminense, e se tornou a primeira atleta mato-grossense a conquistar título fora do estado.

De volta à terra natal, foi a primeira professora concursada de educação física em Mato Grosso e, anos depois, eleita presidente da Câmara Municipal de Cuiabá em 1965, quando tinha apenas 39 anos. Também atuou como promotora da Justiça Militar, advogada formada na primeira turma de direito da UFMT e apresentadora de rádio e televisão.

Imagem utilizada na campanha ao cargo de vereadora de Cuiabá (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo Telma, May enfrentou preconceitos em uma época em que mulheres raramente ocupavam espaços de poder. “Ela levantava a cabeça, entrava e todo mundo respeitava. Não dava bola para fofocas. As pessoas diziam: ‘isso, outras não podem, mas a May pode’. Era a força da presença dela”.

Apesar da projeção pública, May manteve hábitos simples e populares. Para a sobrinha, seu senso de generosidade explica por que May permanece lembrada mesmo após 54 anos de sua morte. “Ela acreditava nela mesma, superava os obstáculos e nunca renegou suas origens humildes. Foi pioneira porque tinha coragem e simplicidade”.

May morreu aos 46 anos. Seu nome hoje batiza espaços públicos em Cuiabá, como escola e ginásio esportivo, e é lembrado em homenagens da Câmara Municipal. “Quero que as novas gerações saibam que ela foi uma mulher que acreditou em si, não teve medo e foi para frente”, afirma Telma.

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