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ARTIGO

Os riscos da PEC que prevê a escala de trabalho 4X3

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Sou a favor da redução da jornada de trabalho no Brasil. Acredito que nos impactos positivos da medida para a qualidade de vida dos brasileiros, especialmente no que se refere à população de baixa renda, que é a grande massa trabalhadora do país. Mas não concordo com a Proposta de Emenda à Constituição que prevê a escala 4X3. Não que ela seja ruim, na teoria. Mas pelo fato de que, na prática, traz riscos importantes para a economia nacional e para os próprios trabalhadores.

A PEC estabelece jornada de até oito horas diárias e 36 semanais, com quatro dias trabalhados por semana e três de descanso. Alega-se que a redução da carga horária é uma tendência ao redor do mundo, o que é verdade. Porém, a mudança vem sendo adotada em países desenvolvidos, com populações mais velhas, em que há escassez de mão de obra e forte necessidade de manutenção dos funcionários pelas empresas.

No Brasil, a meu ver, a adoção obrigatória de uma escala de quatro dias semanais de trabalho abre largas portas para a redução do poder aquisitivo, desemprego, informalidade e inflação. Isso porque a possível aprovação da PEC, nos termos exatos em que foi elaborada, pode obrigar as empresas a contratarem mais para garantir a produtividade, o que força a redução da média salarial e obriga o trabalhador a buscar por complementações de renda. Ou seja, o tempo que deveria ser voltado ao descanso poderá ser preenchido com mais trabalho.

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Em um segundo cenário hipotético, os empregadores poderiam contratar mais sem reduzir salários. Ou manter os mesmos funcionários e salários, e lançar mão de tecnologia para compensar as horas não trabalhadas. Porém novos investimentos aumentam os custos de produção e podem pressionar os preços de produtos e serviços.

De meu ponto de vista, para que sejam solucionadas todas essas equações, é preciso que haja a criação de instrumentos legais que não deixem o tempo de jornada engessado, de forma a reduzir os impactos da medida. Uma saída, por exemplo, seria a criação de um período de transição e a redução gradual da jornada de trabalho, de acordo com as características de cada setor econômico.

Outra solução seria a criação de benefícios fiscais para empresas que comprovadamente reduzam o tempo de trabalho sem alterações nas faixas salariais ou penalizações para os consumidores. Ou ainda, como já vem sendo defendido na própria Câmara dos Deputados, talvez seja interessante a avaliação da criação de um sistema de negociação de horas trabalhadas entre empregadores e empregados.

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Qualquer que seja a solução a ser encontrada, o fato é que esse assunto precisa ser debatido de forma madura e aprofundada com toda a sociedade. Não é possível que, de repente, um tema de tamanha seriedade seja apresentado de maneira tão simplista e, principalmente, utilizado como palanque político.

Wilson Pedroso é analista político e consultor eleitoral com MBA nas áreas de Gestão e Marketing

Wilson Pedroso
Wilson Pedroso

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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