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Pouco mais de 11 mil hectares de cerrado, pertencente à Terra Indígena Sangradouro, na cidade de Poxoréu (259 km de Cuiabá), devem ser desmatados em até 10 anos para o plantio de grãos. O plano, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), prevê a distribuição da área para três fazendeiros da região, em um modelo desigual onde a maior parte do lucro vai para o agronegócio.
Documentos divulgados nesta quarta-feira (27), pelo jornalista Rubens Valente, em sua coluna no site Uol, mostram que o arrendamento das terras tem o objetivo de plantio de soja, milho e arroz, a partir da assinatura de “termos de cooperação agrícola” entre lideranças indígenas e fazendeiros da região.
No local, está uma placa com o sobrenome de três produtores rurais com autorização para exploração da terra, sendo eles: Furlan, Ferrari e Nardes, este último irmão do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes.
Em entrevista para a coluna de Rubens Valente, o produtor José Otaviano Ribeiro Nardes, afirmou que “sem o apoio do presidente da República [Bolsonaro] e da Funai nós não teríamos conseguido fazer o projeto. Só conseguimos em função do total apoio. A Funai em Brasília é uma extensão do nosso projeto”, finaliza.
Ainda de acordo com a reportagem, na última semana, os produtores começaram a plantar soja e arroz em uma área de mil hectares, próxima da aldeia de Volta Grande. No modelo de produção firmado no acordo, os indígenas recebem 20% dos lucros, onde ainda são descontados os custos de produção.
O projeto tem criado atritos dentro da própria comunidade xavante. A coluna de Rubens Valente ouviu dois indígenas contrários ao projeto. Eles não foram identificados, pois relataram um ambiente de tensão e até de ameaças físicas contra os críticos da produção mecanizada.
“Essa plantação já está destruindo o cerrado, entendeu? O mundo xavante já está sendo destruído. Eles falam que está legalizado… Esse projeto já começou de um jeito muito complicado, sem consulta prévia, livre e informada”, afirmou um dos líderes contrário ao projeto.
“Modelo extremamente injusto e exploratório”
Para a professora doutora em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da UFMT, Isabel Taukane, que pertence ao povo indígena Kura-Bakairi, mas que atualmente reside na Aldeia Abelhinha, do povo Xavante, localizada na Terra de Sangradouro, o modelo de arrendamento de terra entre os produtores rurais e os xavantes é “extremamente injusto” na distribuição dos lucros.
“Não é de igualdade a relação entre indígenas e não indígenas, nunca foi e nunca será. É extremamente desigual os acordos, como o arrendamento (de terras) dos xavantes, onde 80% é para o fazendeiro e 20% para a população indigena. Quer dizer… vai desmatar tudo, para receber 20%, que é revertido em recebimento de cestas básicas. É um modelo extremamente injusto e exploratório”, afirma a professora em entrevista no podcast Historias de Boca, do PNB Online, em setembro deste ano (clique aqui e ouça).

























