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SEM VENTILAÇÃO

Protetora diz que cães podem ter morrido de calor em barracão da Prefeitura de Cuiabá

Michelle Scopel, da OPA-MT, relata que encontrou filhotes mortos ao lado de animais vivos.

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(Foto: Reprodução)

A advogada e protetora de animais Michelle Scopel, uma das fundadoras da Organização de Proteção Animal de Mato Grosso (OPA-MT), afirmou nesta terça-feira (28.07) que cães diagnosticados com cinomose foram mantidos em um barracão escuro, quente e sem ventilação no Centro de Controle de Zoonoses de Cuiabá.

Em entrevista ao Jornal da Cultura, da Rádio Cultura, ela relatou ter encontrado cerca de 13 cães no espaço, entre eles filhotes com aproximadamente 45 a 50 dias de vida. Conforme registros feitos pela OPA e pela ONG Tampatinhas, havia animais mortos no mesmo ambiente em que permaneciam cães vivos. “Chegando lá, realmente tinham filhotes mortos, uma cena extremamente chocante, junto com animais vivos”, afirmou.

A situação foi constatada na segunda-feira (27.07), durante uma fiscalização acompanhada pelo vereador Dídimo Vovô (PSB), integrantes de entidades de proteção animal e agentes da Polícia Militar Ambiental.

Michelle ressaltou que, embora o barracão esteja localizado no Centro de Controle de Zoonoses, os animais estavam sob responsabilidade da Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal, que teria utilizado temporariamente o espaço.

Segundo ela, parte dos cães estava com cinomose, enquanto outros animais que teriam se recuperado da doença e pelo menos um cão considerado saudável permaneceram em baias próximas, dentro do mesmo ambiente.

A cinomose é uma doença viral altamente contagiosa entre cães. A proximidade entre os animais poderia aumentar o risco de transmissão. “Era um local totalmente fechado, sem ventilação alguma. Um verdadeiro calaboço. Só que, em vez de escuro e frio, era escuro e muito quente”, disse.

 

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Michelle afirmou que foi possível identificar três animais mortos, mas ponderou que a falta de iluminação dificultava a visualização do interior do barracão. Segundo ela, o grupo precisou usar lanternas de celulares para verificar as condições das baias.

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De acordo com a protetora, servidores informaram que os cães haviam sido levados ao local durante o fim de semana porque não havia vagas disponíveis em clínicas veterinárias conveniadas.

Ela contestou a justificativa e afirmou que a prefeitura deveria ter buscado outras alternativas para garantir atendimento veterinário aos animais. “Eles precisavam estar com acesso venoso, medicados, no soro. Mesmo sendo uma doença altamente letal, teriam uma chance estando em uma clínica”, afirmou.

Michelle também criticou a hipótese de que a interrupção no fornecimento de energia elétrica tenha sido provocada por um suposto conflito entre servidores do Centro de Controle de Zoonoses e do Bem-Estar Animal.

Para ela, mesmo com energia, o espaço continuaria inadequado por não ter ventilação, climatização ou estrutura para o tratamento dos cães. “Com certeza, eles podem até ter morrido de calor, e não da doença”, disse. A causa das mortes, no entanto, não foi confirmada por laudo apresentado durante a entrevista.

Em nota divulgada após a fiscalização, a Prefeitura de Cuiabá afirmou que 13 cães diagnosticados com cinomose foram isolados emergencialmente no sábado (25.07), para evitar a disseminação da doença entre os demais animais atendidos pela rede municipal.

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A administração disse que os cães receberam água e alimentação enquanto aguardavam vagas em clínicas credenciadas. Também confirmou a interrupção do fornecimento de energia no domingo (26.07), restabelecido na manhã de segunda-feira.

Dos 13 cães isolados, três morreram em decorrência da evolução da doença, segundo a prefeitura. Os demais foram encaminhados para clínicas veterinárias conveniadas.

Após denúncia, Abilio promete ampliar sede do Bem-Estar Animal

Após a repercussão do caso, o prefeito Abilio Brunini (PL) afirmou que os cães encontrados no barracão seriam transferidos para clínicas veterinárias e anunciou que toda a área atualmente compartilhada com o Centro de Controle de Zoonoses será destinada ao Bem-Estar Animal. Segundo o prefeito, algumas clínicas se sensibilizaram com a situação e abriram vagas para receber os animais.

“Todos vão para clínicas. Alguns já estão indo para clínicas que se sensibilizaram com a situação e abriram as portas”, declarou.

Abilio também afirmou que o município pretende reformar o barracão onde os cães foram encontrados, em vez de abandonar o espaço.

De acordo com o prefeito, toda a área localizada após o portão de entrada do complexo será transformada na sede da Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal. O Centro de Controle de Zoonoses deverá ser transferido para outro imóvel.

“Do portão que você entrou para cá, tudo será Bem-Estar Animal. O setor de Zoonoses que está aqui pode ir se despedindo deste lugar, porque a Zoonoses vai para outro lugar”, disse.

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