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ARTIGO

Quando um alcoólico ajuda alguém a parar de beber, isto é apadrinhamento

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A prática do apadrinhamento é uma das experiências mais ricas e transformadoras dentro de Alcoólicos Anônimos. Desde os primeiros tempos da Irmandade, quando Bill W. e Dr. Bob perceberam que um alcoólico ajudando outro era a base da recuperação, o apadrinhamento tornou-se uma ferramenta essencial para a manutenção da sobriedade.

O apadrinhamento é a relação voluntária entre dois membros: o padrinho, que já percorreu os Passos e mantém alguma experiência de sobriedade, e o afilhado, que está iniciando ou consolidando seu processo de recuperação. Não se trata de autoridade, mas de partilha. O padrinho não é terapeuta, juiz ou salvador; é alguém que transmite, pela própria vivência, a mensagem de que é possível viver sem beber.

É importante que o candidato à sobriedade escolha um padrinho porque o alcoolismo é uma doença solitária e enganosa. A mente do alcoólico costuma justificar recaídas, minimizar riscos e alimentar ressentimentos. Ter um padrinho significa ter alguém com quem falar honestamente, alguém que já enfrentou crises semelhantes e pode oferecer orientação baseada na prática dos Doze Passos.

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O padrinho ajuda o afilhado a manter-se sóbrio de várias maneiras. Primeiro, estando disponível para ouvir nos momentos de tentação ou desespero. Segundo, orientando na leitura da literatura de A. A. e na aplicação do programa. Terceiro, incentivando a participação nas reuniões e no serviço. Além disso, o padrinho oferece exemplo: sua postura diante das dificuldades mostra que a sobriedade é construída “um dia de cada vez”.

Mais do que conselhos, o padrinho oferece identificação. Quando o afilhado percebe que o outro também sofreu, mentiu, caiu e se levantou, nasce a esperança. Essa identificação reduz o sentimento de isolamento e fortalece o compromisso com a recuperação. O padrinho é alguém com experiência em parar de beber, uma história na qual o afilhado deve se basear para obter resultado semelhante.

Pergunta-se, por vezes, se quem não tem padrinho pode morrer bêbado. A Irmandade não impõe regras absolutas, mas a experiência coletiva mostra que o isolamento é perigoso. Muitos que se afastam do apadrinhamento acabam retornando à bebida. O padrinho funciona como um elo vivo com o programa, alguém que ajuda a romper o ciclo de autossuficiência que tantas vezes conduz à recaída.

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Assim, o apadrinhamento não é uma exigência burocrática, mas um ato de humildade. Ao aceitar orientação, o alcoólico reconhece que não pode vencer sozinho. E, ao apadrinhar, aprende que só se mantém sóbrio quando estende a mão a outro que ainda sofre.

*Camilo Valenzuela é nome fictício em respeito à tradição do anonimato

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