
Especialista apontam que, apesar de parecerem oferecer menos riscos à saúde do que os cigarros tradicionais, os cigarros eletrônicos podem causar dependência e danos às células pulmonares, além de terem potencial cancerígeno. Popular entre os mais jovens, estes dispositivos tiveram sua proibição ratificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última semana.
Apenas em Mato Grosso R$1.583.583,64 em mercadorias desta natureza foram apreendidos pela Receita Federal em 2023. Dados do Sistema de Controle de Mercadorias Apreendidas (CTMA), disponibilizados via Lei de Acesso à Informação (LAI), apontam que o ano de 2024 já apresenta alta no valor dos cigarros eletrônicos apreendidos. Enquanto de janeiro a março de 2023 foram apreendidos R$26.852,86 em mercadorias, no mesmo período de 2024 o número passou para R$37.024,44, um aumento de cerca de 37,8%.
Uma Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa, proíbe, desde 2009 a importação, publicidade e comercialização dos produtos oficialmente chamados de DEF (Dispositivos Eletrônicos para Fumar), categoria que também inclui e-cigarettes, tabaco não aquecido, pods e vapers. Na última sexta-feira (19.04), o órgão votou pela permanência da proibição no país. De acordo com a agência, a norma não trata do uso individual, porém veda o uso dos dispositivos em ambiente coletivo fechado. O não cumprimento é considerado infração sanitária e levará à aplicação de penalidade, como advertência, interdição, recolhimento e multa.

A decisão foi bem vista pelo pneumologista Clóvis Botelho, professor na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e no Centro Universitário de Várzea Grande (Univag). Para o médico, é preciso estar atento à possibilidade do dispositivo causar graves complicações ao usuário, especialmente em razão das milhares de substâncias, inclusive com potencial cancerígeno, que ele carrega.
“Essa decisão é muito importante e demonstra que as autoridades e os órgãos governamentais estão preocupados com a saúde da população. Não que iniba, mas pelo menos dá uma sinalização de que o cigarro eletrônico não é algo bom. Na verdade, o cigarro eletrônico ele veio com a pecha de que era inofensivo ou que trazia poucos malefícios ao organismo. Mas, hoje nós já sabemos que existem cerca de 2 mil substâncias dentro do cigarro eletrônico que são muito maléficas. Inclusive pior que o cigarro convencional. Você que nunca usou, não use”, alerta Botelho.
Número de usuários tem aumentado
O número de brasileiros que consomem regularmente dispositivos eletrônicos para fumar cresceu nos últimos anos. Uma pesquisa recente do Ipec (Inteligência de Pesquisa e Consultoria), com dados de 2023, mostra que 2,9 milhões consumiam os vapes no país. O número é 31% maior do que o divulgado na pesquisa feita no ano anterior, quando 2,2 milhões de brasileiros afirmaram consumir os dispositivos.

















