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FAMATO

Redução de tarifa nos EUA anima setor pecuário em MT, que espera mais competitividade

Para o setor pecuário mato-grossense, a mudança abre espaço para recuperação de margens, ampliação de contratos e maior previsibilidade nas exportações.

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Christiano Antonucci – Secom/MT

A decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas sobre dezenas de alimentos, entre eles a carne bovina, foi recebida como um impulso ao comércio exterior de Mato Grosso. A medida reverte parte das sobretaxas impostas em 2025 pelo governo Donald Trump e busca conter a pressão inflacionária no mercado americano. Para o setor pecuário mato-grossense, a mudança abre espaço para recuperação de margens, ampliação de contratos e maior previsibilidade nas exportações.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) classificou o anúncio como um sinal de retomada do diálogo com Washington. “A pecuária mato-grossense comemora essa reversão de tarifas. Esperamos que esse novo cenário contribua para ampliar exportações, consolidar parcerias e fortalecer o agronegócio regional”, afirmou o superintendente Cleiton Gauer. Segundo ele, o fim da sobretaxa pode favorecer acordos mais longos e estabilidade no planejamento das vendas.

Mato Grosso segue como principal produtor de carne bovina do país e ampliou sua participação no comércio exterior ao longo do ano. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, o volume exportado pelo estado cresceu 35,19% em relação ao mesmo período de 2024. Em outubro, as vendas externas somaram 107,94 mil toneladas, com receita de US$ 462,82 milhões. O instituto aponta ainda diversificação de destinos e espaço para avanços no ranking nacional.

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A oferta também aumentou, impulsionada pela terminação em cocho. A intenção de confinamento chegou a 926,78 mil cabeças no segundo trimestre e deve fechar 2025 em 928,7 mil animais, alta de 4,05% sobre o ano anterior. A recomposição das margens, com a arroba valorizando acima do milho, ajudou a expandir o sistema.

Mesmo com leve recuo no tamanho do rebanho, estimado em 32,1 milhões de cabeças em 2025, Mato Grosso mantém a liderança nacional, segundo o Indea-MT. A queda de 2,03% reflete o maior descarte de fêmeas, movimento que ainda afeta a estrutura produtiva, mas não altera o peso do estado na cadeia da carne.

Para a Famato, a redução tarifária tende a reforçar a posição do Brasil, e especialmente de Mato Grosso, como fornecedor estratégico de proteína animal. “Além de previsibilidade e mais competitividade, a decisão fortalece a confiança na carne produzida aqui, que atende padrões de sanidade, sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pelos mercados mais rigorosos”, disse Gauer.

Em nota técnica, o Imea avaliou que Mato Grosso se aproxima de São Paulo no volume exportado e tem “amplo espaço” para expandir sua participação nas vendas nacionais. O corte de tarifas pelos EUA, caso se mantenha, pode acelerar esse movimento e reequilibrar parte das perdas enfrentadas pelo setor desde 2025.

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