Assessoria / Câmara de Cuiabá

Em carta aberta, o vereador Ricardo Saad confessa que entregou o PSDB ao prefeito Emanuel Pinheiro e critica ex- dirigentes da legenda e os deputados estaduais Carlos Avallone, presidente da regional, e Wilson Santos, a quem acusa de traidor. Vou publicar a carta na íntegra com os meus comentários em negrito:
“Desde o final de semana venho sendo muito criticado por membros do PSDB. Muitos filiados do partido estão apontando o dedo para mim como presidente da Executiva Municipal, mas, se quer, moveram uma palha para ajudar a legenda a se organizar para a eleição de outubro deste ano.
Há correligionários, inclusive, que nunca se manifestaram em prol do partido, que estavam trabalhando para vereadores de oposição, mas que hoje, se vêem no direito de nos criticar sem procurar saber o que, de fato, está acontecendo.
Pois bem, então vamos falar do PSDB sem paixão!”
Comentário meu: As críticas que o parlamentar vem recebendo é pela grande insatisfação entre as lideranças e filiados do PSDB com a recente filiação ao partido do vereador Toninho de Souza que, na opinião de muitos e emplumados tucanos, só trará desgastes ao ninho.
“Desde o ano passado estamos trabalhando incansavelmente na busca de novos filiados, a fim de fortalecer o partido e montar uma chapa de candidatos a vereador consistente. Poucos, diga-se ninguém, aceitou encarar essa empreitada conosco, e mesmo assim não abaixamos a cabeça, não desistimos.
A Executiva Estadual tentou colocar Carlos Nigro como pretenso pré-candidato ao Palácio Alencastro. Em nenhum momento barramos ou nos manifestamos contrário a este projeto, muito pelo contrário, o nome do Nigro era consenso entre nós vereadores.
Com isso, ficamos esperando uma posição mais efetiva quanto a este fato, principalmente no que se refere à formação da chapa proporcional.
Acreditávamos e esperamos, que a Estadual e o pretenso candidato a prefeito nós auxiliasse na organização da chapa para que pudéssemos encarar a eleição deste ano, mas isso não aconteceu.
Mesmo assim, mais uma vez, nós vereadores fomos em busca de pré-candidatos, mas ninguém quis vir para o partido com receio de imposições da Estadual.”
Comentário meu: Quando o vereador assinala que ninguém quis vir para o partido com receio de imposições da Estadual, ele está claramente confessando que nunca trabalhou para o PSDB, mas estava indo buscar a turma do Emanuel Pinheiro, para vestir os tucanos com aquele indesejado paletó. Qual era o receio? De que o partido fizesse imposição por candidatura própria? Isso mostra o tamanho da mentira que os vereadores do PSDB manifestaram apoio ao empresário Nigro. Mentira. São defensores do paletó e precisam explicar isso.
“Quando coloquei meu nome para presidência do PSDB Municipal, todos sabiam que o mandato seria de dois anos. Eu fui eleito com o referendo de todos os filiados e vou permanecer até o final.
Encontrei o partido totalmente endividado. Somente da eleição de 2016, quando o deputado estadual Wilson Santos foi candidato a prefeito de Cuiabá, há uma dívida de aproximadamente R$ 4 milhões. Além disso, há inúmeras dívidas trabalhistas de praticamente todos os presidentes que por aqui passaram.
Diante deste cenário, a primeira atitude que tomei como presidente da municipal foi tentar acabar com as causas dessas dívidas que estavam afundando o partido.
Fizemos a rescisão de funcionários honrando com todos os direitos trabalhistas, e ainda interpelei judicialmente todos os responsáveis pelos débitos deixados, seja ele de qualquer natureza.
Desde que assumi o municipal em abril do ano passado, nunca recebi um real da Estadual. Os seus dirigentes (Carlos Avalone e Paulo Borges) fizeram apenas promessas. Os dois deputados estaduais do partido se comprometeram a nos ajudar mensalmente. A promessa, inclusive, consta em ata de uma reunião da Executiva Estadual realizada no ano passado, mas até agora não recebemos nenhuma colaboração, apenas críticas.
Enfim, quanto ao rumo do partido para a eleição deste ano é bom esclarecer que:
– Nós vereadores (Ricardo Saad e Renivaldo Nascimento) fazemos parte da base do prefeito Emanuel Pinheiro há mais de três anos. Desta forma, seria natural o apoiar em um eventual projeto de reeleição, uma vez que também facilitaria a composição de nossa chapa para a disputa proporcional;”
Comentário meu: Neste últimos parágrafo, a entrega do partido para Emanuel é explicita. ‘Nós vereadores fazemos parte da base do prefeito Emanuel há mais de três anos’. Opa! O PSDB foi quem enfrentou Emanuel nas urnas. Então os vereadores confessam que desde o primeiro dia de mandato já faziam parte da base do prefeito Emanuel. Eu não quero saber o que os vereadores ganharam com isso, mas é preciso perguntar: a cidade ganhou o que? A certeza da impunidade? A certeza de que os crimes do paletó não seriam apurados? O que a cidade ganhou com isso?
Mais adiante enfatizam a preocupação que seria natural apoiar um eventual projeto de reeleição do prefeito, uma vez que facilitaria a composição da chapa deles. É natural apoiar por quê? O PSDB não foi o partido que se opôs a Emanuel na eleição? Ele faz um bom mandato para a cidade? A saúde funciona bem? Não houve corrupção na prefeitura? Secretários não foram presos por causa da corrupção? Quantas licitações foram anuladas pelo TCE? Ah sim, por isso tudo é que é natural apoiar Emanuel. Entendi Saad.
“- Apesar disso, com o intuito de unificar e fortalecer o partido, aceitamos e apoiamos a pré-candidatura do Nigro a Prefeitura de Cuiabá;
– Na contramão disso, o deputado Wilson Santos migrou para base do governador Mauro Mendes (DEM), do qual ele era opositor ferrenho. Isso apenas demonstra que, o parlamentar, que é vice-presidente da Municipal, nada vez para nos ajudar. Além do que, o seu irmão Elias Santos se filiou ao DEM para disputar a eleição a vereador.
Resultado: Nós vereadores ficamos isolados com a dura missão de estruturar o partido na Capital para disputar a eleição. Desta forma, o que nos restou a fazer?
Aceitar a ajuda de quem estava disposto a nos ajudar, o prefeito!”
Comentário meu: A confissão final. Aceitar a ajuda de quem estava disposto a nos ajudar, o prefeito! Que ajuda foi essa? Quantos Emanuel mandou filiar no partido para ficar como dono da legenda na capital? Toninho de Souza foi uma filiação organizada e combinada com Emanuel? Além de nomes para “boi de piranha”, o que mais Emanuel ofereceu? O vereador deixou claro uma negociação, por que não expor isso totalmente à opinião pública? Tem outros “favores” além da organização da chapa? E a estrutura, $$$$ para a campanha foi também negociado? Se foi, esse $$$$ vem de onde?
“Na realidade, queriam que nós aproveitássemos a janela partidária para sair do partido. Por isso, em nenhum momento quiseram nos ajudar de fato. Mas mesmo assim, ficamos fiéis e lutamos sozinho para garantir a reestruturação do PSDB em Cuiabá.
Vamos encarar mais esse desafio de cabeça erguida.”
Comentário meu: É assim que se faz a reestruturação de partido? Ao permanecerem no partido e “conquistarem” Toninho de Souza, com apoio de Emanuel fica claro que o PSDB precisa começar tudo de novo. Essa confissão pública é motivo mais que suficiente para intervenção partidária, a não ser que o partido queira se conformar com as imposições de três vereadores apoiados por Emanuel. Será esse o destino do PSDB? Um puxadinho da prefeitura? Linha auxiliar do paletó?
Saad começou o debate. Tomara que ele sustente.























