
O Santuário de Elefantes Brasil divulgou uma nota pública na quarta-feira (07.11) em que reage à suspensão temporária de sua autorização para receber novos animais e acusa a existência de uma campanha de descredibilização contra a instituição, intensificada após a morte recente da elefanta africana Kenya.
No comunicado, o santuário afirma que alegações de irregularidades vêm sendo repetidas há anos e ganharam novo fôlego após a morte de Kenya, ocorrida menos de quatro meses depois de sua transferência para o local. Segundo a instituição, o episódio teria sido usado para reforçar uma narrativa “anti-santuários”, associada, de acordo com o texto, a interesses políticos e judiciais ligados a elefantes que hoje são alvo de disputas e que poderiam ser encaminhados ao espaço mantido em Mato Grosso.
A nota foi publicada dias depois de a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) suspender a autorização para que o santuário receba novos elefantes. A notificação do órgão estadual foi expedida no dia 23 de dezembro, cerca de uma semana após a morte de Kenya, e estabeleceu prazo de 60 dias para que a instituição apresente documentos e esclarecimentos técnicos. A suspensão não afeta, segundo a Sema e o próprio santuário, os animais que já vivem no local.
Entre 2019 e 2025, ao menos quatro elefantes morreram menos de um ano após chegarem ao santuário. O espaço é especializado em acolher elefantes que passaram décadas em cativeiro, muitos deles oriundos de circos e zoológicos, em condições consideradas inadequadas por organizações de proteção animal.
No texto divulgado nesta quarta, o santuário afirma que a decisão da Sema foi “apressada” e tomada em um contexto de forte pressão pública, agravado pelo período de festas, e que a informação sobre a suspensão teria sido vazada deliberadamente para a imprensa antes que a instituição tivesse acesso completo aos questionamentos técnicos do órgão ambiental.
“A decisão não impacta em nada os elefantes que já vivem no santuário”, afirma a nota, que também sustenta que as acusações não têm fundamento. A instituição diz ver com seriedade processos de fiscalização e investigações, e avalia que uma análise regulatória aprofundada pode contribuir para maior transparência sobre o cuidado oferecido aos animais, muitos deles marcados por histórico prolongado de negligência antes da chegada ao local.
Ibama
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) informou que apura as mortes registradas no santuário. Em nota divulgada no último dia 19, o órgão federal afirmou que, em um primeiro momento, não é possível afirmar se os óbitos estão relacionados a maus-tratos recentes ou a manejo inadequado, mas destacou que a quantidade de mortes não passou despercebida e está sob análise.
O instituto também ressaltou que o termo “santuário” não existe formalmente na legislação ambiental brasileira. Segundo o Ibama, trata-se de um nome fantasia, assim como “bioparque”, e, do ponto de vista legal, o empreendimento em Mato Grosso é classificado como um criadouro científico de fauna. A designação informal de santuário estaria relacionada à ausência de exploração comercial dos animais.
Petição
Na nota divulgada nesta quarta-feira, o Santuário de Elefantes Brasil informa ainda que acionou seus advogados para preparar medidas legais contra pessoas e entidades que, segundo a instituição, disseminam informações sabidamente falsas. O comunicado menciona também o lançamento de uma petição para que órgãos reguladores, incluindo o Ibama e a própria Sema, investiguem com o mesmo rigor casos de elefantes que morreram em outras instituições ou que permanecem em cativeiro sem o que considera cuidado adequado.


























