Neste ano de 2026, as celebrações da Semana e do DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, estarão focadas, novamente, sobre um tema super importante que é o agravamento da crise climática e suas consequências, a começar pelo aumento da temperatura média do planeta.
Em 2015 durante a COP 21, na França, foi aprovado o Acordo de Paris, onde, praticamente todos os países se comprometeram a participar deste esforço mundial visando evitar que a temperatura média do planeta exceda de 1,5º C acima do que era no início do período industrial e, estabelecendo um teto máximo de 2,5º C acima do qual o planeta terra poderá entrar em colapso, ou chamado “ponto do não retorno”, com todas as consequências catastróficas que, há décadas, os cientistas que integram o Painel do Clima da ONU vem alertando e mencionando.
Em sua mensagem alusiva `a Semana e, principalmente, para o DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE de 2026, cujas celebrações oficiais da ONU terão lugar no Azerbaijão, na Ásia Central, o Secretário Geral da ONU, António Guterres, em sua mensagem alerta todos os países, líderes mundiais e, enfim, a população em geral sobre a importância de agirmos, enquanto é tempo, cada qual em seu “quadrado”, como costuma-se dizer, ou seja, sobre todas as ações, pequenas ou grandes, que podem ser feitas para mudar o rumo de como a humanidade está se relacionando com a natureza e também sobre os impactos socioambientais produzidos pelo estilo de vida e pelos sistemas econômicos atualmente existentes no mundo.
Vejamos alguns aspectos desta mensagem do Secretário Geral: “Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de Junho de 2026), existem sinais em todas as partes. Esses últimos onze anos tem sido os mais quentes de toda a história humana, recorde e mais recorde de temperaturas elevadíssimas. Todavia os problemas vão muito além do aumento da temperatura em si, mas atingem também a poluição do ar, a degradação dos solos, a destruição da biodiversidade e o colapso dos ecossistemas (todos os biomas).Isto afeta a saúde humana, destrói moradias e produz migrações e muita fome. O mundo não pode permitir que a temperatura exceda 1,5ºC centígrados. Cada fração de aumento da temperatura produzirá grandes perdas e sofrimento humano, especialmente para a população mais vulnerável (pobres e excluídos). Nosso desafio (do mundo inteiro) é realizar tudo que estiver ao nosso alcance, mesmo que, aparentemente, sejam pequenas ações, para evitarmos mais aumento da temperatura”
Assim, ao iniciarmos mais um mês de Junho, um mês emblemático, com diversos momentos dedicados `a ecologia integral, o chamado JUNHO VERDE, na verdade é muito mais do que um slogan ou alguns conceitos abstratos e vagos e sim, momentos que exigem de nós, todas as pessoas, organizações públicas e também representantes da sociedade civil organizada e tantas outros como representantes do mundo empresarial, dos movimentos sindical, comunitário e, também, das Igrejas, repetindo, para que possamos refletir sobre qual o futuro que nos espera, se tudo continuar como está, em termos de degradação socioambiental e de destruição do planeta. Com certeza desta destruição trará consequências não apenas para as atuais gerações, mas, principalmente, para as futuras gerações.
Esta será a herança que iremos deixar para o futuro do planeta.
Iniciando por esta primeira semana de Junho teremos a oportunidade de refletir sobre os seguintes momentos, de 01 a 08 estaremos celebrando a Semana do Meio Ambiente, culminando em 05 com o DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE; quando, no mesmo dia teremos a oportunidade refletirmos sobre o Dia da Ecologia e o Dia Nacional da Reciclagem e o Dia Internacional da Pesca Ilegal. Três assuntos super importantes para o meio ambiente.
Antes, porém, em 03 desta semana teremos oportunidade de refletir, dialogar sobre a importância do Dia Nacional da Educação ambiental, assunto de extrema importância tanto para estimularmos o despertar da consciência ambiental, ecológica nas crianças, adolescentes e jovens, mas também em todas as demais faixas demográficas, este despertar é o que na Encíclica Laudato Si, o Papa Francisco denominou de Conversão Ecológica.
Esta conversão ecológica ou o despertar da consciência socioambiental crítica, universal é o único caminho para mudarmos estilos de vida, padrões, paradigmas dos sistemas de produção e de consumo, acabando com o consumismo, com o desperdício e também com uma economia do descarte, da obsolescência programada e destruição do meio ambiente, abrindo caminho para uma nova economia, a chamada economia circular ou, novamente na concepção do Papa Francisco, superarmos “esta economia que mata”, ou “Economia da morte”, por uma economia da vida, a chamada Economia de Francisco e Clara, baseada no respeito aos limites da natureza, e relações de trabalho, produção e consumo que não estejam voltados apenas para o lucro, mas para o bem estar coletivo e ao bem comum.
Ainda nesta Semana Mundial do Meio Ambiente, ainda teremos oportunidade de celebrarmos o Dia Mundial da Segurança dos alimentos, no dia 07, momento para refletirmos sobre os desafios da fome e do desperdício de alimentos, relembramos que diariamente o nível do desperdício é imenso, no mundo todo em 2025 foram desperdiçados praticamente um terço de todos os alimentos produzidos para o consumo humano ou seja, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos enquanto no mesmo período, de acordo com relatório da UNICEF, de 2025, em torno de 673 milhões de pessoas não tinham o que comer, estavam em situação de fome aguda, além de mais de 604 milhão que estavam em situação de insegurança alimentar, totalizando 1,277 bilhão de pessoas que não sabiam se iriam comer ou dormir sem se alimentar. Isto representa nada menos do que 14,5% da população mundial em 2025.
Convenhamos um enorme desafio humano e também ambiental, pois este desperdício de alimentos representa desperdício de energia, de solos, de água, de trabalho, de energia, de serviços de logística e transporte e, pior ainda, gera resíduos sólidos que irão aumentar o volume de lixo que polui o ar, os solos, as águas e também produz aproximadamente 8% dos gases de efeitos estufa e contribui para o agravamento da crise climática.
Além desses eventos socioambientais a terem lugar nesta semana mundial do meio ambiente, não podemos deixar de mencionar outros momentos importantes deste Junho Verde, como: 08 Dia Mundial dos Oceanos; 11 Dia do Educador Sanitário – Educadora sanitária; 17 Dia Mundial de Combate `a Desertificação e `a Seca (áreas degradadas); 17 Dia do Gestor Ambiental e 30 – Dia Nacional do fiscal agropecuário.
Diante de tantos desafios, cabe-nos entender que todas as nossas ações individuais ou coletivas, em um ou em todos os países do mundo, em seu conjunto, ou seja, em seu somatório causam os impactos socioambientais que afetam todos os biomas ao redor do mundo, em decorrência de que “tudo está interligado”, no planeta, nossa Casa Comum, como por tantas vezes ao longo de seu magistério, principalmente a partir de 2015, quando da publicação da Encíclica Laudato Si, o Papa Francisco tanto nos exortou e o mesmo continua fazendo o Papa Leão XIV.
Além de nossas ações individuais ou mesmo comunitárias, é importante que nossos governantes tanto em nível local, quanto regional/estadual e nacional, definam políticas públicas, consoante os termos do Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário, bem como dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e suas mais de 160 metas, a chamada Agenda 2030 da ONU.
Cabe também um destaque, como tem sido constatado e documentado, que as maiores agressões ao clima do planeta e a degradação socioambiental são produzidas pelo uso de energia que utilizam combustíveis fósseis (Carvão, gás natural e Petróleo), responsáveis por aproximadamente 80% da emissão dos gases de efeitos estufa na atmosfera e a mudança/crise climática.
Diante disso, é fundamental, necessário e imperioso que lutemos por uma transição energética limpa, universal e justa, e que a ONU lidere um processo para estabelecer um pacto global pelo fim da produção e uso de energia utilizando combustíveis fósseis e que, para tanto, seja estabelecido um tempo limite (em inglês “fase out”).
O mundo já produziu e continua produzindo conhecimento científico e tecnológico que permite a substituição total dos combustíveis fósseis por fontes de energias renováveis e limpas, como a hidroeletricidade, a energia solar, eólica, geotérmica, das marés, a bioenergia e o hidrogênio verde. Portanto, não tem sentido, diante do que já está comprovado, continuarmos destruindo o planeta.
De forma semelhante também já existe conhecimento científico e tecnologias disponíveis quanto `as práticas agropecuárias e florestais dentro de parâmetros mais produtivos, racionais e ambientalmente corretos, como a agroecologia, a agrofloresta, a agricultura regenerativa e tantas outras.
Finalmente, precisamos fazer nossas reflexões socioambientais, principalmente em momentos significativos como a Semana e o Dia Mundial do Meio Ambiente ou em tantas outras ocasiões em que celebramos dias e semanas ambientais especiais.
Aliando essas celebrações, devemos enfatizar a importância das próximas eleições gerais em nosso país, quando serão eleitos os futuros governantes nacionais e estaduais, para que os mesmos incluam em suas propostas de ação política, enfim, futuros planos de governos as questões socioambientais, como base para aperfeiçoamento e aprofundamento das políticas ambientais e melhor podermos enfrentar os problemas e desafios como as tragédias ambientais que tem aumentando significativamente nos últimos anos.
Finalizando esta reflexão, gostaria de mencionar que para os cristãos que, conforme o Censo do IBGE de 2022 representavam 83,6% da população brasileira, cuidar do meio ambiente não é uma opção, mas sim, uma exigência de nossa ética, moral e de fé.
O Papa Leão XIV, por exemplo, tem exortado tanto católicos quanto evangélicos e fiéis das demais religiões do mundo todo, inclusive do Brasil que a ecologia não é apenas uma questão ambiental, no sentido mais restrito de natureza, mas um conceito e realidade que conectam um melhor cuidado com a natureza com a proteção dos mais vulneráveis e, em assim sendo, exige de todos e todas uma conversão ecológica, ou seja, uma transformação mais profunda de nossos hábitos, estilo de vida e, também, das estruturas econômicas, culturais, sociais e, principalmente políticas.
Esta conversão está também inserida no contexto da Justiça social/Doutrina Social da Igreja, da Justiça climática e da Justiça intergeracional e do bem comum.
Sem essas transformações profundas, estamos apressando um colapso das condições de vida no planeta, colocando em risco a sobrevivência da própria humanidade.
Este é o sentido e o significado das celebrações da Semana e do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2026 e dos demais dias e semanas relacionados com a Ecologia Integral.
Nunca uma reflexão crítica e criadora foi tão necessária!
Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online


























