Nesta tarde de segunda-feira (18), em depoimento à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, mas como vítima de extorsão, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) ratificou declaração dada antriormente e disse ser verdade que o dono do jornal Centro-Oeste Popular, Antonio Carlos Milas, cobrou e ele pagou em torno de R$ 700 mil para o jornalista não denunciasse em seu veículo de imprensa os esquemas ilícitos que ele operou enquanto governo do Estado.
Silval explicou que à época em que a Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz/MT) deflagrou a operação “Liberdade de Extorsão” ele estava preso e não tinha como se lembrar dos detalhes do fato, porque não tinha nenhum documentos em mãos e só contava mesmo com a memória. De acordo com ele, os pagamentos eram sempre feitos em dinheiros e cheques dos quais teria cópia dos comprovantes, porém não pode garantir que todo o valor foi pago porque o ex-secretário Pedro Nadaf (Casa Civil) foi quem ficou responsáveis por quitar e ele relatou ao ex-governador que estava pagando.
O ex-governador contou ainda que à época, no ano de 2013, o jornalista não apresentara nenhum tipo de prova dos fatos que ele queria levar a público e que não iria aceitar a extorsão se não fosse a insistência do então presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, e ainda porque se tratavam de denuncias e tratativas ilícitas eram verdadeiras. “Todas as verdades dos fatos estão dentro da delação (junto à Procurdaoria-Geral da República) e tudo é verdade. Essa fato aqui é verdadeiro”, afirmou Silval ao ser questionado pela defesa do jornalista sobre mentir em acordo de delação.
O advogado de defesa de Milas, Eduardo Mahon, ainda questionou se haveria algum comprovante do pagamento dessa suposta extorsão que sofrera e ele responder que “não existe comprovante de propina”. Mahon pediu ao juízo a dispensa do depoimento de Silval, que é colaborador da Operação Sodoma e que por isso torna o depoimento viciado, porque a juíza já sabia o que ia encontrar. E que nesta ação, o juízo “está fazendo questão de fazer prova contra o acusado (no caso o cliente dele)”.
Mahon também questiona a competência da Vara, que trata de crime organizado, para cuidar desse caso. Segundo ele, o MP (Ministério Público Estadual) está endereçando as ações para a Sétima (Vara Criminal de Cuiabá) e parece que está tudo certo, que a juíza condene.
Entenda o caso
A operação “Liberdade de Extorsão” foi deflagrada em março de 2016 pela Defaz e na época foram presos cinco jornalistas acusados de crimes de extorsão praticados contra autoridades públicas, empresários e pessoas físicas com alto poder aquisitivo e um servidor público. Os jornalistas teriam informações confidenciais, de forma privilegiada, e chantageavam políticos e empresários para não publicar as noticias.
Conforme as investigações, o grupo obrigava os políticos e empresários a pagar quantias vultuosas, entre R$ 100 a 300 mil, para não terem as informações divulgadas nos veículos, sobre supostas irregularidades em contratos administrativos, corrupção ativa e passiva, entre outras negociatas.
Silval relatou que foi procurado pelo jornalista em 2013, e na mesma época também o amigo dele o empresário Wanderley Torres, da Trimec, e que ele pediu R$ 1 milhão que acabou caindo para os R$ 700 mil e depois que começou a fazer os pagamentos nunca mais foi procurado por Milas.






















