Nos últimos dias o movimento nos bastidores do futebol brasileiro tem dado esperanças a alguns torcedores em diferentes regiões do Brasil, inclusive de Cuiabá. Trata-se do interesse de alguns empresário brasileiros e de outros países em investir em times tradicionais em função do surgimento da lei que regulariza os chamados clube empresa, ou seja, uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com CNPJ e tudo.
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O Mixto é o time mais vcencedor do Campeonato Mato-grossense.
Neste último final de semana torcedores do Mixto Esporte Clube, o mais tradicional e vencedor time de futebol de Mato Grosso, comemoraram ao verem seu time passar para as mãos do empresário João Dorileo Leal, proprietário do Grupo Gazeta de Comunicação, e do ex-senador e jornalista Antero Paes de Barros.
De acordo com Antero, com o Dorileo o clube terá condições de conquistar patrocínios importantes. Sendo que o objetivo maior neste momento é levar o Tigre para a Série A do Campeonato Mato-grossense e depois ganhar a Copinha. Dessa forma já vai haver uma clareza de como será a disputa de uma Série D em 2023.
Os novos investidores constituirão um novo CNPJ para administrar o futebol e os esportes do Alvinegro e o Conselho Deliberativo e Fiscal seguirão com a função de acompanhar e fiscalizar. Com prazo inicial de dez anos, o contrato prevê metas de acesso nas divisões nacionais do futebol, investimento em estrutura, categorias de base, pagamento e negociação de dívidas. Também um percentual de rateio, entre o clube e investidores, das premiações, venda de atletas e dividendos.
Clubes empresa – Hoje três clubes-empresa estão na primeira divisão do campeonato brasileiro: Cuiabá, Red Bull Bragantino e Botafogo. Todavia, no mês de dezembro o Cruzeiro, que está na segunda divisão por três temporadas, também viu o clube adquirir um CNPJ, e foi para as mãos do ex-jogador Ronaldo Nazário. E, nesta segunda-feira (22), foi avez do tradicional Vasco da Gama anunciar que também será uma SAF, o Vasco também está na segunda divisão.
Cuiabá – O Dourado foi criado em 2001 como um time que empresários colocavam jogadores para serem valorizados, o fundador foi ex-jogador Luís Carlos Tóffoli, mais conhecido como Gaúcho. Contudo, como a Fifa proibiu que empresários fossem donos de jogadores, então a família Dresch passou a administrar o clube a partir de 2019. Na sequência, o time teve um crescimento meteórico, passou por todas as séries do Campeonato Brasileiro e em 2021 chegou à Série A, onde conseguiu se manter, e em 2022 novamente vai disputar a competição. O Cuiabá, de fato, foi o primeiro clube da primeira divisão a se tornar uma SAF.
O MIXTO
O Mixto Esporte Clube completa neste 20 de maio 88 anos de conquistas e tradição. O clube quase centenário, cresceu acompanhando a transformação de Cuiabá de uma acanhada cidade do início do século XX para a moderna metrópole de hoje. O Mixto é o clube do sotaque e da culinária cuiabana. A agremiação esportiva que mais representa nossa cultura.
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Na atualidade o Mixto amarga um rebaixamento para a Série B do Estadual, mas com uma nova diretoria está se estruturando para voltar ao topo do futebol mato-grossense. O projeto já começou a dar certo, tanto que a equipe feminina do Alvinegro conquistou o campeonato Estadual 2021 e 2022. No masculino, as contratações já devem começar para a disputa do Estadual da Séri B e a volta para a Série A.
De longe, o Mixto Esporte Clube é o mais vitorioso que os gramados mato-grossenses já presenciaram. São 24 conquistas de campeonatos estaduais, dentre os quais, o exclusivo tetracampeonato de 1954 e 1982. Ficou conhecido como o Tigre da Vargas, resquício de sua antiga sede erguida com contribuições voluntárias, e que se localizava na principal avenida da Cuiabá. A sede foi vendida, em um episódio que dói até hoje para todo mixtense que viveu ali carnavais cuiabanos e intermináveis festas populares.
O campeão dos 250 anos de Cuiabá foi também o primeiro mato-grossense a vencer uma competição nacional, o Centro Oeste de 1976. Das várias participações na elite do futebol brasileiro, fez jogos memoráveis como a vitória por 1 a 0 contra o Vasco da Gama no Campeonato Nacional de 1976, quando o craque Adavilson Pelezinho marcou um belíssimo gol olímpico nos minutos finais da partida.
Ou na goleada mixtense por 4 a 2 em cima do Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro de 1982, com o craque Tostão destruindo o time mineiro com três gols na partida. Ou o histórico duelo entre Mixto e Operário de Várzea Grande valendo vaga para o Campeonato Brasileiro de 1976, o duelo anunciado como “quem vai para o Nacional”? A vaga ficou com o Mais Querido. O destino ainda colocou Mixto e Operário VG em outro embate histórico, em 1979 pelo Campeonato Brasileiro, com vitória do Tigre por 4 a 3.
O Branco e Preto reinou no antigo Estádio do Comércio (hoje campo do Liceu Cuiabano), no Estádio Presidente Dutra e no Estádio Verdão. Levou os maiores públicos que o futebol regional já presenciou. E inaugurou a Arena Pantanal, no empate contra o Santos pela Copa do Brasil de 2014.
ORIGEM E A FAMÍLIA PAES DE BARROS
Nas origens do Mixto uma mescla de cultura, tradições regionais e esportes praticados por homens e mulheres. Assim começa o legado do Mais Querido. Em 1937, já com a paricipação de Ranulpho Paes de Barros é fundado o futebol do Mixto, que naquele mesmo ano já conquistava seu primeiro, dos 25 títulos estaduais que possui. Além de ser o maior papa títulos no futebol de Mato Grosso.
O Mixto ostenta hoje em sua camisa duas estrelas amarelas que significam as maiores conquistas do clube, além dos campeonatos estaduais. Em 1969, o Mixto foi o campeão dos 250 anos de Cuiabá e em 1976 foi o primeiro e único campeão do Centro Oeste brasileiro. Esse torneio nunca mais foi disputado. (Com informações: Mixto.Net e Mixto.EC)
A LEI
O presidente Jair Bolsonaro sancionou na noite desta sexta-feira (6) o PL 5516/2019 que cria a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Os dispositivos sobre renúncia fiscal, que permitiam aos clubes pagar 5% de suas receitas nos cinco primeiros anos da mudança, foram vetados.
A
presentada pelo Congresso em julho, a proposta é que os times possam se tornar clubes-empresa, modelo que já é bem difundido pelas principais ligas do mundo.
Além disso, prevê regras de parcelamento de dívidas, além de permitir que as obrigações civis sejam separadas das trabalhistas, sem repassá-las a essa nova empresa que será criada com as novas regras.
Mais investimentos
Segundo o texto, todos os bens em direito dos clubes que escolheram virar empresas serão transferidos a sociedades anônima de futebol. Atualmente, cada clube de futebol é caracterizado como uma associação civil sem fins lucrativos. Com a mudança, poderão emitir títulos privados.
Com isso, é esperado que os clubes atraiam mais investidores ao futebol brasileiro. Atualmente, a gestão deles, em sua maioria, é feita por presidentes eleitos por um seleto clube de associados. Afinal, esse tipo de gestor, normalmente, é mais voltado para focar em resultados dentro de campo do que arrumar a casa fora dele.
De acordo com um levantamento realizado pela consultoria EY, 92% dos clubes das cinco maiores ligas europeias funcionam como empresas – no Brasil, o número é exatamente o inverso. Caso aumente o escopo para a 2ª divisão desses países, o percentual vai para 96%. Alguns deles, como Juventus e Manchester United têm, inclusive, ações negociadas em bolsa.
Recuperação judicial
Outra novidades que a nova lei traz é a possibilidade dos clubes irem à justiça para pedir recuperação judicial (RJ), um processo onde a empresa se reorganiza financeiramente e negocia suas dívidas com a intermediação do Poder Judiciário.
Enquanto as dívidas do futebol brasileiro só crescem – Cruzeiro, Corinthians e Botafogo, por exemplo, devem mais de R$ 900 milhões cada, segundo a consultoria Sports Value – ter a chance de recuperar o controle das finanças com a ajuda da justiça parece uma boa opção para os times.






















