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ARTIGO

Uma rede de apoio que atravessa gerações

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Quando o primeiro grupo de Alcoólicos Anônimos se formou, em 1935, talvez ninguém imaginasse o quanto aquela chama de esperança iluminaria tantas vidas ao redor do planeta. Uma luz discreta, sem donos, sem holofotes — mas firme, constante, alimentada pelo compromisso humano mais bonito que pode existir: o de se ajudar mutuamente a viver.

AA não é apenas uma instituição. É um refúgio. É uma rede invisível de mãos estendidas, de histórias que se entrelaçam na dor e na coragem, no recomeço e na verdade. Sua missão vai além da sobriedade: ela toca gerações, sustenta lares, reconstrói vínculos. Foi assim na minha casa, foi assim na minha família e tem sido assim em mim.

Na minha infância, vi meu pai encontrar caminho, dignidade e pertencimento. E eu, como adolescente, pude dar nome às minhas emoções, encontrar sentido, me fortalecer. Tive a oportunidade de crescer em uma nova direção, e esse percurso foi tão profundo que acho que contribuiu para eu me tornar psicóloga — com um compromisso ético e amoroso com a vida e com as relações.

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Por isso hoje, com o coração cheio de gratidão, celebramos os 90 anos dos Alcoólicos Anônimos. Celebramos sua visão de mundo baseada na escuta, na humildade, na partilha. Ressaltamos os valores que sustentam esse movimento de transformação silenciosa e potente.

Obrigada, AA, por salvar tantas vidas — inclusive algumas preciosas pra mim.

Ana Moraes é psicóloga clínica comportamental e apaixonada por relações humanas cuidadosas e transformadoras

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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