O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União) gosta de usar uma expressão portuguesa, “rame-rame”, para criticar as especulações da imprensa no universo da política. Segundo ele, é sempre o mais do mesmo, monótono e repetitivo. Não é bem assim. Às vezes, o fato está exatamente entre a especulação e o real. Mendes quer o apoio da extrema-direita bolsonarista e o PL tem interesse em emprestar este apoio, fazendo uma aliança eleitoralmente forte no estado. Falta amarrar o compromisso ideológico.
A pedra no meio do caminho de Mauro é a sede de vingança do ex-presidente Jair Bolsonaro, líder dos extremistas, contra o ministro Alexandre de Moraes. Bolsonaro quer ter a maioria no Senado para pedir o impeachment do ministro do STF, o inimigo número 1 do ex-presidente e dos bolsonaristas raiz. Mauro Mendes terá que fazer este compromisso público: eleito Senador da República por Mato Grosso, ele apoiará o projeto de vingança de Bolsonaro, votando a favor do impeachment do ministro. Esse compromisso terá que ser uma promessa de campanha.
Segundo a jornalista Cíntia Borges, do site MidiaNews, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu nesta quarta-feira (7) a possibilidade de o partido coligar com o União Brasil na eleição de 2026 em Mato Grosso.
“Podemos apoiar Mendes ao Senado em uma dobradinha com Medeiros, mas a definição só pro ano que vem”, disse Valdemar em conversa de WhatsApp com o MidiaNews.
O que não foi dito, ainda, é que a base do compromisso dessa dobradinha passa pela declaração pública de Mendes a favor do impeachment de Alexandre de Moraes, figura que concentra todo o ódio de Jair Bolsonaro, sedento por vingança. É, com certeza, uma saia justa para o governador. Ele tem planos de sair pelo estado mostrando as realizações do seu governo para pedir votos para o Senado, mas terá que fazer uma campanha eleitoral com a espada da vingança ideológica do bolsonarismo sobre a sua cabeça. Mauro senador será reduzido a um mero instrumento da vingança de Bolsonaro contra Moares?
























