O capitão da Polícia Militar

, preso após agredir fisicamente e humilhar um subordinado com ofensas racistas durante uma confraternização, foi colocado em liberdade provisória na última sexta-feira (20.06). A decisão foi tomada durante audiência de custódia, três dias após o episódio ocorrido em Brasnorte, interior de Mato Grosso.
Na avaliação do juiz Fábio Alves Cardoso, que conduziu a audiência, embora as condutas atribuídas ao oficial sejam graves e moralmente reprováveis, não há evidências de que a liberdade do réu represente risco concreto ao andamento do processo ou à segurança da vítima. O magistrado destacou ainda que o capitão foi afastado do cargo de comando logo após o episódio, o que reduz a possibilidade de influências no caso.
Entre os fatores considerados na decisão estão o fato de Cirano ser réu primário, sem antecedentes criminais, e de o episódio aparentar ser um “fato isolado” em sua trajetória funcional. O juiz também observou que, apesar das agressões físicas e verbais, não há indícios de ferimentos graves no soldado agredido.
Com isso, a prisão preventiva foi negada, e Cirano responderá ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares. Ele está proibido de se aproximar ou manter contato com a vítima por qualquer meio, deverá manter o endereço e telefone atualizados e comparecer a todos os atos do processo judicial.
O caso
A agressão ocorreu na madrugada de terça-feira (18.06), durante uma confraternização do moto clube Rota 170, do qual tanto o capitão quanto o soldado participavam. Segundo o boletim de ocorrência, Cirano, que estaria visivelmente embriagado, imobilizou o subordinado com um golpe conhecido como “mata-leão”, tomou seu celular e o quebrou.
Na sequência, ainda na presença de clientes e funcionários de um estabelecimento comercial, ordenou que o soldado se sentasse no chão e proferiu ofensas racistas. “Cachorro e preto senta no chão”, teria afirmado o capitão. Além disso, insultou familiares do subordinado, insinuando que a esposa teria se relacionado com outros militares e questionando a paternidade do filho recém-nascido.
Testemunhas presenciaram as agressões e a polícia foi acionada ainda naquela madrugada. A arma do soldado foi recolhida por questões de segurança, e ele segue recebendo acompanhamento psicológico e jurídico. Agora, o capitão responde ao processo criminal em liberdade, sob monitoramento da Justiça.





















