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FEMINICÍDIOS E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

O governante que não governa pelo exemplo é uma tragédia para as mulheres

Qualquer tentativa de usar a Justiça para abafar ou calar o debate livre e democrático sobre feminicídio e violência doméstica em Mato Grosso é uma confissão. Revela a fraqueza moral do político que não tem as condições pessoais necessárias para liderar pelo exemplo. Liderar pelo exemplo é o que faz a diferença. Um governante que não lidera pelo exemplo é uma tragédia para as mulheres.

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Um governo realmente comprometido com o combate contra a matança de mulheres e a violência doméstica em Mato Grosso precisa fazer ações policiais, de educação contra a cultura do machismo; ações de apoio psicológico às sobreviventes da violência, mas precisa também ter um governante que lidere esta luta pelo exemplo. O governante de Mato Grosso precisa liderar pelo exemplo. Liderar com um discurso público de compromisso contra a violência e de defesa das mulheres. Liderar pelo exemplo é o que faz a diferença. Um governante que não lidera pelo exemplo é uma tragédia para as mulheres.

A escalada da matança de mulheres em Mato Grosso não para. Segundo informa o G1 MT, um homem de 34 anos foi preso neste sábado (13), em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, após confessar o assassinato da esposa, Ana Claudia dos Santos Veiga, de 22 anos. O corpo da vítima foi encontrado pela polícia dentro de uma fossa na residência do casal, em Nova Bandeirantes. 

Segundo a Polícia Militar, após o crime, o suspeito deixou Nova Bandeirantes e seguiu para Alta Floresta acompanhado do filho de 2 anos. Ainda conforme os militares, ele foi convencido por familiares a se entregar às autoridades.

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Ao ser localizado, o homem confessou o crime e indicou o local onde havia deixado o corpo da vítima. A informação levou equipes policiais até uma área de Nova Bandeirantes, onde o corpo foi encontrado.

GOVERNAR É DAR EXEMPLO

O cenário da matança de mulheres em Mato Grosso continua bastante complexo e alarmante. A tendência atual de 2026 é de alta. A análise das autoridades de segurança indica que, embora haja uma estrutura de acompanhamento e aplicação da Lei Maria da Penha ativa, o volume de ocorrências em 2026 segue mostrando que o patamar de violência permanece elevado, sem registrar uma queda sustentada em relação à tendência de alta observada no fechamento do ano anterior.

No campo político de interesse público, qualquer figura pública da política proeminente no estado e potencial candidato a cargos majoritários, precisa prestar conta dos seus atos pessoais sobre o tema do feminicídio e violência doméstica. Mesmo com casos pessoais extintos pela Justiça, o tema continua vivo na sociedade de Mato Grosso, seja na cobertura jornalística e seja na cobrança por transparência por parte de movimentos sociais. Torna-se um assunto do qual o político dificilmente se desvincula por completo na arena pública. Qualquer tentativa de abafar e de tentar calar o debate livre, democrático e necessário é uma confissão de que o político não tem as condições de liderar pelo exemplo.

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*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.

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