O deputado estadual Gilberto Cattani (PL), político de extrema direita conhecido por declarações polêmicas – incluindo a comparação de mulheres com vacas em 2023 –, conseguiu apoio para aprovar uma moção de repúdio contra a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Aparecida Souza e Silva.
O documento foi enviado à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa no dia 12 de agosto e foi aprovado pelos deputados. Apenas Lúdio Cabral (PT) e Edna Sampaio (PT) votaram contra a moção.
A moção é uma resposta a declarações da reitora, que se manifestou em apoio à professora Maria Inês da Silva Barbosa. A docente havia utilizado o pronome neutro “todes” durante a Conferência Municipal do Sistema Único de Saúde (SUS) em Cuiabá, no último dia 30 de julho – ato que resultou em sua saída do evento após o prefeito Abilio Brunini (PL) vetar o uso da linguagem neutra, classificando-a como “inoportuna e ilegal”.
Em vídeo, a reitora Marluce defendeu a professora e afirmou que o uso de “todes” é uma forma de reconhecer a diversidade.
Cattani, no entanto, interpretou as palavras da reitora como um endosso à “ideologia de gênero” e à “linguagem neutra”, atribuindo-a à “esquerda”. Em sua justificativa, ele argumenta que a posição de Marluce é “incompatível com a razão e com a legislação vigente” e, por isso, merece o repúdio oficial do Legislativo estadual.
Histórico de polêmicas
Não é a primeira vez que o deputado chama a atenção por declarações controversas. Em 15 de maio de 2023, durante a instalação da frente parlamentar “Pró-Vida”, contra o aborto, Cattani comparou a gravidez de mulheres à gestação de vacas.
“Quando a minha vaca entra no cio, está no período fértil e o touro ‘cobre’ a minha vaca, é assim que a gente fala na roça, então ela está prenha. Isso é natural. Agora eu pergunto para qualquer pessoa: o que tem na barriga da minha vaca? Se você pedir para essas feministas ou essas pessoas que defendem o assassinato de bebês no ventre da sua mãe, eles vão dizer que lá tem um feto, não é um bezerro.”
A fala foi amplamente repudiada por movimentos de mulheres, entidades de direitos humanos e até mesmo por colegas de parlamento, que classificaram o comentário como misógino e desumano.





















