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FUNAI E UFMT

Intercâmbio entre indígenas reúne agroecologia, biodiversidade e cultura em MT

Atividade reúne povos indígenas em Sinop e no Xingu para troca de sementes e experiências em agroecologia

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Intercâmbio entre indígenas reúne agroecologia, biodiversidade e cultura em MT(Foto: Consuelo Selva / Funai)
Intercâmbio entre indígenas reúne agroecologia, biodiversidade e cultura em MT (Foto: Consuelo Selva / Funai)

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizaram, até esta terça-feira (23.03), um intercâmbio técnico e cultural entre os povos Enawenê Nawê e Ikpeng. A iniciativa, iniciada no último dia 19, tem como objetivo fortalecer laços institucionais, fomentar o diálogo intercultural e estimular práticas de conservação ambiental.

A expectativa é de que cerca de 1,7 mil indígenas sejam beneficiados pela ação. Para Lolahete Enawenê, participante do encontro, a atividade amplia o aprendizado coletivo. “Aprendemos novas formas de cuidar da nossa terra e também mostramos aos outros como fazemos nossas plantações. Assim todo mundo aprende”, afirma.

O intercâmbio foi organizado pela Coordenação Regional Noroeste de Mato Grosso (CR-NOMT) da Funai, que estruturou a logística e articulou a programação. Segundo Iana Moura, chefe da Unidade Técnica Local Vilhena II, a proposta “aproxima os povos indígenas do conhecimento científico e das tecnologias ambientais, ao mesmo tempo em que valoriza seus conhecimentos tradicionais”.

A atividade integra o planejamento de restauração ambiental da Terra Indígena Enawenê Nawê, em andamento desde 2018. O trabalho inclui enriquecimento florestal e recuperação de áreas degradadas, e é conduzido pela Funai em parceria com a UFMT. Para Consuelo Selva, chefe do Serviço de Gestão Ambiental e Territorial da CR-NOMT, os resultados são perceptíveis. “A comunidade enfrentava sérios problemas devido à escassez de buriti no território. Hoje vemos a evolução desse trabalho, que só foi possível com a parceria entre Funai, UFMT e a própria comunidade indígena”, diz.

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Troca de experiências

A primeira etapa do intercâmbio ocorreu nos dias 18 e 19, em Sinop, com a participação de 15 indígenas Enawenê Nawê. Eles visitaram o campus da UFMT, a Embrapa Agrossilvipastoril e viveiros de mudas municipais e privados, além de participarem de oficinas sobre saúde do solo e biofertilizantes.

Na segunda fase, iniciada no último sábado (21), o grupo se deslocou ao Parque Indígena do Xingu, onde é recebido pelos Ikpeng para atividades de troca de sementes e conhecimentos sobre agroecologia. O encontro ocorre no contexto do “Projeto Arborescer: conhecer para conservar”, coordenado pela UFMT em parceria com a Funai.

Renan Kawirw Malaure Txicão, técnico em agroecologia do povo Ikpeng, afirma que a experiência beneficia ambas as comunidades. “Compartilho os trabalhos da minha comunidade, como a coleta de sementes e o manejo de quintais produtivos. Ao mesmo tempo, aprendo com eles sobre a vivência nas aldeias”, relata.

Projeto Arborescer

O Projeto Arborescer busca formar multiplicadores em educação ambiental e promover o uso sustentável dos recursos naturais nos territórios indígenas. De acordo com Juliano de Paulo, professor da UFMT e coordenador da iniciativa, o intercâmbio sintetiza a função da universidade pública. “A atividade valoriza os povos indígenas e reforça o papel da universidade em gerar soluções para uma sociedade mais justa e sustentável”, afirma.

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