
A entrega do primeiro trecho da Ferrovia Estadual em Dom Aquino era momento muito aguardado por quem torce pelo sucesso de Mato Grosso. Mas o que se viu nos bastidores e no palco do cerimonial foi o retrato fiel de um Governo do Estado marcado pela insegurança, pelo ciúme institucional e por uma profunda imaturidade política. O governador Otaviano Pivetta, em poucos meses de gestão, deixou claro que prefere operar na pequenez do boicote pessoal a compartilhar os méritos de uma conquista que pertence a todos os mato-grossenses.
A prova cabal da fragilidade política de Pivetta materializou-se no cerimonial do evento. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, e o senador Jayme Campos estavam formalmente previstos para discursar. Suas presenças na lista de oradores não eram um favor, mas o reconhecimento legítimo de quem trabalhou ativamente pelo projeto. Assembleia foi a responsável por aprovar o marco legal da ferrovia estadual, e o senador Jayme Campos foi o articulador decisivo no Congresso Nacional para destravar a renovação da Malha Paulista, a espinha dorsal sem a qual nenhum vagão mato-grossense conseguiria chegar ao Porto de Santos.
No entanto, em um ato de pura puxada de tapete presenciada e comentada por quem circulava pelos bastidores, ambos foram limados da fala por ordem direta do governador.
Para tentar camuflar uma conduta tão leviana e autoritária, a máquina de propaganda do Palácio Paiaguás acionou uma estratégia ainda mais vergonhosa. Sabendo do desgaste que o boicote geraria, operadores de Pivetta plantaram uma notícia falsa na imprensa, alegando cinicamente que Max Russi havia sido silenciado a mando do governo do presidente Lula por pertencer ao campo da direita.
Uma mentira grosseira que cai por terra diante dos fatos, uma vez que a União se fez presente de forma republicana com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o titular do Ministério dos Transportes, George Santoro, cientes de que a obra de R$ 5 bilhões, recursos foram captados por meio de financiamento via Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Fato omitido pelo Governo do Estado em release enviado à imprensa, no qual coloca a Rumo e o Executivo estadual cômodos únicos protagonistas, ignorando completamente o Legislativo Estadual, que deu apoio e aprovou em tempo recorde mudanças constitucional e legal para viabilizar o empreendimento.
No entanto, além de cortar o presidente da AL do anúncio da obra, ainda o silenciou e tentou colocar a responsabilidade no governo federal. Essa tentativa desesperada de empurrar a culpa para uma suposta “perseguição ideológica” federal foi o disfarce mal elaborado de um governante que não sabe dividir o palco. Ao tentar reescrever a história e apagar o protagonismo de Jayme Campos e de Max Russi, Pivetta expõe o tamanho de sua própria insegurança. Líderes maduros agregam e honram os fatos, políticos fracos isolam aliados e inventam inimigos imaginários para justificar seus próprios erros.
As pesquisas e o termômetro das bases políticas já começam a cobrar o preço dessa postura centralizadora e instável. Mato Grosso não aceita o falso protagonismo de quem precisa calar lideranças legítimas para tentar parecer grande. Os trilhos da verdade são firmes e expõem a realidade sem filtros. Ao escolher o caminho do boicote e da mentira, Otaviano Pivetta mostra que o cargo que ocupa parece ser grande demais para a maturidade política que ele possui.




















