
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União) descartou a criação de uma Delegacia Especializada da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande para funcionamento 24 horas. As explicações dadas por ele revelam seu sincero desprezo pelas mulheres de Várzea Grande. Revelam também uma lógica administrativa torta, de uma gestão sem alma. Mendes fala em custos ao invés de falar do necessário investimento social e financeiro em mais prevenção contra a matança de mulheres em Mato Grosso.
O desprezo pelas mulheres de Várzea Grande. Mauro Mendes minimizou a necessidade da delegacia em plantão interrupto, citando a curta distância entre Várzea Grande e Cuiabá, indicando que ocorrências registradas no município vizinho podem ser denunciadas na capital. “Não é doloroso sair de Várzea Grande para ir a Cuiabá”, comentou secamente.
Dolorosa é a declaração insensível que revela o descompromisso efetivo de uma política pública de defesa das mulheres. Ter duas delegacias especializadas em Cuiabá e Várzea Grande duplicaria a ação policial em favor das mulheres no maior Aglomerado Urbano de Mato Grosso. E, em óbvio, montar uma nova delegacia em Várzea Grande é muito mais fácil do que montar uma em Apiacás, sejamos razoáveis.
Genial ou bestial. A brutal diferença fica cada vez mais clara para a sociedade. O governo Mauro Mendes faz autopromoção de ações geniais, criativas, em relação a obras, como a privatização da BR163 e a estadualização de ferrovia. Mas na hora de criar ações de políticas públicas, saca desculpas rápidas, rasas e irrazoáveis, como exemplo, descartar a implantação da Delegacia da Mulher em Várzea Grande.
Funciona assim: para os negócios públicos de grandes obras, o governo Mauro Mendes é genial, mas para ações em favor das mulheres o governo Mauro Mendes é bestial, ao descartar novas soluções para os velhos problemas que ameaçam a integridade das mulheres.
Os jornalistas Fred Moraes e Aline Costa do site Gazeta Digital foram delicados e gentis no registro da fala do senhor governador: “soa insensível diante da realidade do município”.
A fala soa insensível diante da realidade do município. Várzea Grande é a segunda maior cidade de Mato Grosso, com mais de 300 mil habitantes, e tem registrado casos recorrentes de violência contra a mulher. O exemplo mais recente foi a morte da personal trainer Rozeli da Costa Nunes, que chocou a população e reacendeu o debate sobre a necessidade de uma rede de proteção mais efetiva.
Com todo o respeito aos colegas jornalistas Moras e Costa: não “soa insensível”. É absolutamente insensível. É a declaração sincera e clara de um gestor sem alma.
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