Uma fatia muito pequena do orçamento destinado para a construção do Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, seria suficiente para garantir uma delegacia 24horas em Várzea Grande.
Em fala aos jornalistas nesta sexta-feira (26), o governador afirmou que o valor necessário para manter uma Delegacia da Mulher com atuação 24 horas em Várzea Grande seria “insustentável”, pois seria necessário manter cinco delegados na unidade.
Na declaração polêmica, que gerou críticas nas redes sociais, o governador disse que “não é doloroso” que algumas mulheres viagem de Várzea Grande para Cuiabá em busca de atendimento.
“Não é doloroso sair de Várzea Grande para ir a Cuiabá. Temos um estado muito grande, uma delegacia 24 horas precisa de 5 delegados. Se eu fizer em todos os municípios para proteção da mulher, precisaremos em média 700 delegados, olha o custo disso para a sociedade. Sair de Várzea Grande para vir para Cuiabá não é algo que não possa acontecer, são poucos quilômetros para poucas pessoas”, disse o governador.
Levantamento feito pela reportagem do PNB Online, com base em dados do próprio Governo do Estado, mostra que o custo de uma Delegacia da Mulher 24 horas, com cinco delegados, seria de R$ 1.811.269,85 por ano.
A informação leva em consideração o valor de salário base do delegado, conforme tabela salarial da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), que é de R$ 27.865,69. O levantamento não leva em consideração o profissional que já está lotado na delegacia – o que poderia reduzir ainda mais esse valor.
O valor de R$ 1,8 milhão anual para custear uma delegacia 24h representa 0,002% do custo do Parque Novo Mato Grosso. Segundo afirmou o presidente da empresa pública Mato Grosso Participações (MT Par), Werner Santos, o parque deve custar R$ 900 milhões. No entanto, algumas estimativas apontam que o custo do parque já chegou a R$ 1,5 bilhão.
Apesar dos recordes de feminicídio, o governo Mauro Mendes tem adotado uma política de reduzir recursos para a Segurança Pública. Além do déficit de policiais militares, o governador retirou orçamento do enfrentamento da violência contra a mulher para “áreas prioritárias”, segundo um documento obtido pela reportagem.
























