O juiz Vinícius Paiva Galhardo, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), apresentou nesta sexta-feira (24) os resultados das ações que vêm modernizando o Poder Judiciário do Estado, durante o III Congresso Estadual de Inovação e Empreendedorismo Jurídico (Inova ADV Experience 2025), realizado no Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá. O evento foi promovido pelo Instituto Mato-Grossense de Advocacia Network (Iman), em parceria com o TJMT.
Em sua palestra, intitulada “Justiça na Era Digital: Caminhos para um sistema moderno e inclusivo”, Galhardo destacou dois avanços recentes: o banco de jurisprudência próprio do Tribunal, que já reúne mais de quatro mil decisões, e o sistema LexIA, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida exclusivamente pelo TJMT para auxiliar magistrados na análise processual.
Segundo o juiz, a LexIA utiliza precedentes do próprio Tribunal, do STJ e do STF para sugerir entendimentos jurídicos e otimizar a produção de votos. A tecnologia já resultou em aumento de 102,5% na produtividade e redução de cerca de 45% no tempo médio de elaboração de votos, que passou de seis para três dias.
“A inteligência artificial não é o fim da Justiça como a conhecemos. É o início de uma Justiça mais humana, que liberta magistrados das tarefas mecânicas e devolve tempo para o essencial: fazer Justiça com técnica, reflexão e empatia”, afirmou Galhardo.
O magistrado destacou que o sistema vem sendo aprimorado com a participação direta de juízes e assessores, responsáveis por criar e validar os “agentes” da IA. Ele defendeu que a tecnologia é uma aliada para garantir decisões mais rápidas e qualificadas.
“O objetivo final é o cidadão, entregando uma tutela jurisdicional célere e qualificada. Com o auxílio da inteligência artificial, a qualidade do trabalho também aumenta”, disse.
A juíza Hanae Yamamura, que participou do painel, ressaltou que, apesar dos avanços tecnológicos, o foco do Judiciário deve continuar sendo o ser humano.
“A tecnologia pode agilizar processos, mas jamais substituirá o olhar atento e a empatia de um juiz. Não existe inteligência artificial capaz de sentir a urgência ou o medo de uma mulher que pede proteção”, afirmou.
O juiz Túlio Duailibi Alves Souza, coordenador do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa do TJMT, reforçou a necessidade de equilíbrio entre inovação e sensibilidade.
“Falar de automação sem olhar para o cuidado com o ser humano é um equívoco. A Justiça é feita por pessoas e para pessoas”, disse.
Duailibi lembrou que a digitalização dos processos, acelerada pela pandemia, foi um divisor de águas para o Judiciário. Ele citou os avanços na área da Infância e Juventude, onde a realização de audiências virtuais reduziu o tempo de espera e ampliou o acesso à Justiça.
“O tempo de uma criança é muito diferente do nosso. Com a tecnologia, conseguimos respostas mais rápidas e isso fez toda a diferença”, afirmou.
Encerrando a mesa, os magistrados convergiram em um ponto: a modernização tecnológica é inevitável, mas deve servir à Justiça, e não substituí-la.























