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25 DE OUTUBRO

Depoimento de Dom Evaristo Arns sobre Vladimir Herzog é relembrado no Dia da Democracia

Arcebispo de São Paulo desafiou a ditadura militar ao celebrar cerimônia na Catedral da Sé após o assassinato do jornalista, em 1975

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No Dia da Democracia, celebrado neste sábado (25), o PNB Online relembra um dos momentos mais emblemáticos da resistência ao regime militar no Brasil: o depoimento do então arcebispo de São Paulo, Dom Evaristo Arns, sobre o culto ecumênico realizado em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura nas dependências do DOI-Codi, em outubro de 1975.

Em seu relato, Dom Evaristo recorda a pressão que sofreu antes da celebração. “Mas que prazer, cinco rabinos ao mesmo tempo na minha casa. Eles disseram: ‘Viemos aqui para que o senhor não fizesse o culto pelo jornalista, porque ele não foi assassinado. Ele se suicidou’. Aí eu disse: ‘Os senhores são rabinos. Nós devemos dizer a verdade’”, contou.

O arcebispo afirmou que um dos responsáveis por preparar o corpo de Herzog havia relatado sinais claros de tortura, contrariando a versão oficial do regime. “Aquele que lavou o corpo dele, no momento em que descobriu os ferimentos, avisou aos senhores e até foi ameaçado de morte pelos soldados”, disse.

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Mesmo diante das tentativas de intimidação, Dom Evaristo manteve a decisão de realizar o ato religioso. Segundo ele, o rabino Henry Sobel, então o mais jovem entre os líderes religiosos presentes, ofereceu-se para participar da cerimônia na Catedral da Sé, marcada por forte presença policial. “Na Praça da Sé, havia 500 policiais. E se alguém gritasse ‘abaixo a ditadura’, eles tinham ordem de atirar. Eu disse: ‘Temos em cada janela dois ou três fotógrafos para registrar de onde sai o tiro’”, lembrou.

O culto ecumênico reuniu milhares de pessoas e se transformou em um marco na luta pela redemocratização do país. “Quando entrei na catedral e vi que não havia lugar nem para um fósforo, tanta gente chorando diante de uma pessoa querida e estimada na cidade, eu me enchi de esperança em favor do povo brasileiro”, disse Dom Evaristo.

O ato, conduzido por Dom Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo James Wright, marcou o início de uma mobilização crescente contra as violações da ditadura militar e permanece como símbolo da coragem e da defesa da verdade em tempos de repressão. Veja:

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