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ARTIGO

Círculo vicioso

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“Falta mão-de-obra qualificada no país”. Já nem sei há quanto tempo leio ou ouço esse mantra, reverberado mais uma vez, na semana passada, na capa da edição de terça, 9, dest’A Gazeta. Segundo a última Sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria), é a quarta maior preocupação do setor, depois de impostos, juros e procura interna por seus produtos. Embora nada desmereça este sentimento, estudos sugerem que entre 91% e 97% das preocupações nunca se concretizam.

Mesmo essa preocupação tendo lastro com a realidade, uma conta não fecha. Recursos e estrutura para qualificação existem (para industriários, comerciários, cooperados, trabalhadores rurais e da área de transportes). Pelos noticiários, só o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), criado em 1942, administrado pela CNI e considerado um dos maiores complexos de educação técnica do mundo, com uma receita de R$ 7,56 bilhões em 2023, dinheiro de impostos, registrou 1,1 milhão de matrículas em 2022.

(Sem contar que boa parte dos 1,5 milhão de estudantes das quase 700 escolas técnicas federais é direcionada ao setor metalmecânico e à agroindústria. Por falar nisso, entre 2005 e 2015, nos governos Lula I, II e Dilma, foram criadas 422 destas unidades, enquanto em 2024, anunciados 100 novos campi, com mais 140 mil vagas. Ah! a primeira escola técnica do Brasil foi criada por Nilo Peçanha, um presidente negro que a história nacional embranqueceu).

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Voltando à capacitação profissional. Ela atende (ou deveria) basicamente todos os setores da economia, por meio do Sistema S, cujos cofres são providos pelo poder público. Segundo o site Poder 360, o governo repassou, em 2023, R$ 61,09 bilhões a entidades públicas. A maior fatia, R$ 30,26 bilhões, ficou com o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), seguido pelo Sistema S, com R$ 26,92 bilhões. O terceiro colocado, Incra, ficou com R$ 2,55 bilhões.

Além do Senai, já citado, as outras entidades do Sistema S beneficiadas foram Sesi (Serviço Social da Indústria), R$ 2,49 bilhões; Sesc (Serviço Social do Comércio), R$ 4,94 bilhões; Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), R$ 2,2 bilhões; Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), R$ 3,29 bilhões; Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), R$ 813 mil; Sest (Serviço Social do Transporte), R$ 706 mil; Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), R$ 4,34 bilhões; e Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), R$ 542 mil (em outra pesquisa, este valor sobe para R$ 7,9 bilhões).

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Resumo da ópera: Os recursos para formar mão-de-obra especializada, assim como para a educação formal, especialmente a primária (ensino fundamental), existem. O problema, parece, está na sua gestão e, portanto, na consecução. O número de beneficiados é até satisfatório, mas o resultado, não. E aí, retornamos ao círculo vicioso: “falta mão-de-obra qualificada no país”.

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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