
O missionário italiano Nazareno Lanciotti, morto em 2001 após denunciar esquemas de prostituição e tráfico de drogas na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, será beatificado no dia 13 de junho de 2026, em cerimônia autorizada pelo papa Leão XIV.
A missa solene será realizada às 9h, em Jauru (a 463 km de Cuiabá), e presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que participará como representante do Vaticano. A celebração será transmitida ao vivo pelo canal da Canção Nova Cuiabá no YouTube.
O anúncio foi feito simultaneamente em Jauru e em Subiaco, cidade natal do sacerdote, durante as celebrações que marcaram os 25 anos de seu martírio.
Nascido em 1940, Lanciotti foi ordenado padre em 1966 e veio ao Brasil cinco anos depois, ligado à Operação Mato Grosso, iniciativa de apoio missionário italiano. Ele se estabeleceu definitivamente em Jauru, onde atuou por três décadas.
Na região, fundou uma paróquia, criou 57 comunidades rurais, abriu uma escola, um seminário e um dispensário que se tornou referência em saúde. Também construiu uma casa para idosos e organizou ações sociais voltadas à população mais pobre.
Em 1987, passou a integrar o Movimento Sacerdotal Mariano e assumiu a coordenação nacional no país. Seu trabalho pastoral, porém, entrou em conflito com interesses criminosos. Na noite de 11 de fevereiro de 2001, dois homens encapuzados invadiram sua casa e atiraram contra o padre. Ele morreu 11 dias depois, aos 61 anos.
A Igreja Católica considera que o assassinato ocorreu por motivação ligada à sua atuação religiosa e social, o que fundamenta o reconhecimento como mártir, etapa que permite a beatificação sem a exigência de milagre comprovado. No entanto, para que o padre seja canonizado, é obrigatória a validação de um milagre atribuído à sua intercessão.
A organização do evento estima que milhares de peregrinos do Brasil e da Itália devem participar da cerimônia. A programação completa e o esquema logístico ainda serão divulgados.


























