
A ampliação de duas unidades de conservação no Pantanal deve acrescentar cerca de 104 mil hectares de áreas protegidas ao bioma. O anúncio foi feito durante a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (COP-15), realizada em Campo Grande (MS).
Com a medida, o percentual de territórios sob proteção legal no Pantanal ultrapassa ligeiramente os 5%, segundo informações divulgadas por organizações socioambientais.
A expansão envolve o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, em Poconé, que passa a ter 183,1 mil hectares, com aumento de 47,2 mil hectares. Já a Estação Ecológica de Taiamã, em Cáceres, salta de 11,5 mil para 68,5 mil hectares, com acréscimo de cerca de 57 mil hectares.
Entidades da sociedade civil atribuem à mobilização popular um papel relevante no processo de ampliação. O Fórum Socioambiental de Mato Grosso (Formad), que reúne 35 organizações, afirma ter atuado na articulação, nas consultas públicas e na produção de conteúdos técnicos em defesa da medida.
Representantes de entidades como Associação Fé e Vida, Associação Xaraiés, Instituto Gaia e a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira participaram das discussões realizadas em municípios como Cáceres e Poconé.
Segundo o secretário executivo do Formad, Herman Oliveira, a atuação das organizações contribuiu para contestar argumentos contrários à ampliação das áreas protegidas. “Nas consultas públicas, apresentamos embasamento técnico e a perspectiva de quem vive nos territórios para rebater a ideia de que a ampliação traria prejuízos”, afirmou.
Em setembro de 2025, o Formad encaminhou ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) uma carta de apoio à ampliação da Estação Ecológica de Taiamã. O documento integrou a etapa consultiva do processo conduzido pelo órgão federal.
Durante o anúncio, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a participação de diferentes setores na construção da proposta. Segundo ela, a ampliação resulta de articulação entre governos, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais.
A ministra afirmou que a medida se baseia em evidências técnicas e contribui para a proteção de áreas essenciais ao funcionamento do Pantanal, como o pulso de inundação, fenômeno responsável por sustentar a biodiversidade e os ciclos ecológicos do bioma.
Cerrado também terá nova unidade de conservação
Além das áreas no Pantanal, o governo federal anunciou a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, no Cerrado, com 40,8 mil hectares.
A nova unidade abrange três municípios mineiros e tem como objetivo proteger o bioma e garantir a permanência de comunidades tradicionais em áreas de chapadas e vazantes. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a reserva também deve integrar um mosaico de conservação na região.
























