Uma inspeção Vigilância Sanitária Estadual expôs as entranhas do colapso na saúde pública de Mato Grosso. O Hospital Regional de Colíder, unidade sob gestão direta do governo de Mauro Mendes, foi alvo de uma interdição após a constatação de 228 irregularidades graves, que incluem desde a presença de vetores e pragas urbanas até o uso de equipamentos médicos tomados pela oxidação. O cenário de abandono reflete a crise sanitária que coloca em risco a vida de pacientes e profissionais da região.
Entre as falhas mais críticas apontadas pelos relatórios técnicos, destaca-se a infestação de pragas e vetores. O hospital falhou em manter ações eficazes e contínuas de controle, violando normas básicas de biossegurança estabelecidas pela RDC 63/2011. Documentos do Processo Administrativo Sanitário revelam que a unidade só buscou justificar a realização de dedetizações após ser formalmente autuada pelos fiscais.
A precariedade dos instrumentos de trabalho é outro ponto alarmante do dossiê. Foram identificados equipamentos e utensílios em condições inadequadas apresentando oxidação avançada. A ferrugem em materiais médicos compromete diretamente a segurança de procedimentos cirúrgicos e o tratamento de pacientes, evidenciando a falta de manutenção e investimentos na estrutura básica da unidade.
A desorganização e o acúmulo de materiais na área externa próxima ao setor de emergência também foram registrados como irregularidades graves. O lixo acumulado de forma inadequada criou ambientes propícios para o alojamento de animais peçonhentos e outros vetores de doenças, agravando o risco sanitário para quem circula pelo local.
No interior da unidade, a higiene precária foi constatada em diversos setores, como na Clínica Médica, onde havia a presença de plantas artificiais com acúmulo de sujeira. Além disso, a administração não apresentou o certificado de limpeza dos reservatórios de água no momento da inspeção, descumprindo exigências sanitárias fundamentais para garantir a salubridade da água utilizada em todo o hospital.
A situação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também foi alvo de críticas severas devido ao uso de colchões inadequados. No repouso médico da UTI, foram encontrados colchões sem revestimento lavável e impermeável, o que infringe as normas de controle de infecção hospitalar. Somente após a notificação, a unidade providenciou a substituição por modelos que atendem aos padrões de biossegurança.
Os riscos biológicos foram evidenciados pelo armazenamento irregular de placentas e resíduos biológicos de fácil putrefação. O freezer utilizado para esse fim estava com defeito, comprometendo o controle de temperatura necessário. O problema só foi sanado com a substituição do equipamento após a intervenção dos órgãos de fiscalização.
O descumprimento de protocolos de segurança pessoal também foi flagrado, com profissionais circulando em sanitários utilizando jalecos e roupas privativas do centro cirúrgico em áreas comuns. Essa prática aumenta o risco de contaminação cruzada, revelando falhas na orientação e fiscalização das rotinas de biossegurança por parte da gestão hospitalar.
Outro lado
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde (SES), mas não obteve respostas.























