A Câmara Municipal de Cuiabá parece carregar um apelido que insiste em se renovar: “Casa dos Horrores”. E o mais preocupante é que o nome não surge de exagero popular ou de ironia vazia. Ele sobrevive porque, sessão após sessão, novos episódios ajudam a mantê-lo vivo.
O caso mais recente envolve o vereador Rafael Ranalli, que durante uma sessão não percebeu o microfone aberto e chamou o colega Daniel Monteiro de “baitola”. A cena rapidamente ganhou repercussão, gerando mais uma onda de indignação e constrangimento. Mas o problema não está apenas na fala em si; está no fato de que ela parece apenas mais um capítulo de uma longa sequência de episódios lamentáveis.
Há poucos meses, outra situação chamou atenção: a vereadora Katiuscia Mantelli direcionou um gesto obsceno ao vereador Ilde Taques após uma suposta piada. E, mais uma vez, o foco saiu dos debates importantes para dar espaço a discussões sobre comportamento, respeito e falta de postura dentro do próprio Legislativo.
O problema é que esse tipo de situação deixou de ser exceção. A Câmara de Cuiabá passa longe de transmitir credibilidade e seriedade, e isso não começou agora. Ao longo dos anos, o espaço que deveria ser palco de debates sobre mobilidade urbana, saúde, educação, infraestrutura e qualidade de vida frequentemente acaba lembrado por episódios constrangedores, trocas de provocações, escândalos e outras situações que ajudam a desgastar ainda mais a imagem do poder público.
De quatro em quatro anos, a população cuiabana escuta promessas de renovação. Escuta que agora será diferente, que a política mudou, que novos nomes trarão novos tempos. O discurso sempre vem carregado de esperança. Mas, quando as portas se abrem e as sessões começam, muitas vezes a impressão é de que o roteiro continua o mesmo — apenas com personagens diferentes.
Enquanto isso, quem paga a conta acompanha tudo entre indignação e descrença. A “Casa dos Horrores” continua fazendo aquilo que parece fazer há muito tempo: divertindo seus parlamentares e assombrando o povo cuiabano.
Marina Duarte é servidora pública e Analista de Gestão Pública

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
























