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ARTIGO

Os “juros compostos” do conhecimento

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Ao longo da vida, adquirimos conhecimentos e habilidades. Em muitas vezes – na maioria delas – não percebemos seu benefício imediato.

“Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”. A frase, atribuída a Benjamin Franklin, faz um importante contraponto ao sentimento de imediatismo tão dominante nos dias de hoje. Estamos cercados por um senso de urgência – nem sempre real – em que a recompensa pelo esforço é confundida com seu resultado de fato. Talvez isso até faça sentido em algumas circunstâncias pontuais; mas, se falamos de conhecimento, de aprendizado, essa dinâmica pode se tornar perigosamente desestimulante.

O contato frequente que tenho com lideranças, especialmente aquelas em formação, escancara esse perigo. É como uma ansiedade por “ver acontecer” – que, se em justa medida é positiva, em excesso pode atrapalhar a percepção de que a construção está, sim, acontecendo o tempo todo.

A cada nova informação, a cada troca, curso, livro, título, vivência, sua experiência pessoal é ampliada; essa é uma propriedade eternamente sua. No entanto, nem sempre a recompensa – pelo menos, a recompensa almejada – vem de pronto. Nem sempre a promoção acontece, a remuneração aumenta, o reconhecimento chega.

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Uma reflexão essencial: é contraproducente atribuir ao conhecimento uma relação de causa e efeito tão direta. Competências se acumulam com o tempo. São adicionadas, justapostas, combinadas, ressignificadas; nesse movimento, o que aprendemos hoje não necessariamente é aplicado, mas, definitivamente, passa a fazer parte de uma construção única que define não apenas o que somos, mas – e isso é importantíssimo – o que podemos ser. Aí está um ponto de inflexão que é muito importante ter em mente.

O resultado do aprender é o aprendizado. A recompensa, por sua vez, é algo que será colhido apenas com o tempo, fruto não só daquele saber específico, mas da sua soma com toda a bagagem e todo o repertório que já trazíamos. É preciso paciência. Mais ainda: é preciso consistência.

Essa consistência só existe com comprometimento. Os frutos precisam amadurecer, é necessário manter os esforços constantes independentemente do alcance de recompensas concretas, e a persistência depende desse comprometimento; depende de manter o apetite pelo novo, por melhorar, pelo aprendizado, pela busca.

Determinar a diferença entre recompensa e resultado cria um paradigma valioso e muito estratégico para a evolução pessoal e profissional. Entendo que está aí a chave da consistência: para seguir investindo continuamente no aprimoramento, é fundamental compreender que o retorno pode ser de longo prazo; mais ainda, que vai ser beneficamente impactado pela disciplina de manter “aplicações” constantes.

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Como em uma lógica de juros compostos – em que os resultados apurados vão se somando a um capital que cresce e segue rendendo exponencialmente – cada nova aplicação disciplinada, cada nova competência, se incorpora ao seu patrimônio e tem o poder de destravar recompensas inevitáveis.

A capacidade madura de renunciar à ansiedade por retornos instantâneos se conecta profundamente à capacidade de sustentar um comportamento ávido, curioso, interessado e dedicado ao longo do tempo – e isso faz toda a diferença.

A força exponencial de ganhos cumulativos, tão facilmente compreensível no mundo financeiro, pode e deve ser aplicada ao conhecimento, na forma do aprendizado contínuo como ativo que cria um “efeito bola de neve intelectual” – virtuoso, invulnerável às crises, aos desafios e às mudanças; capaz de multiplicar o valor pessoal de cada um e potencializar sua capacidade transformadora.

Eduardo Fischer é CEO da MRV&CO

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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