Em 2026, Mick Jagger e Keith Richards já ultrapassam os 80 anos e continuam fazendo aquilo que aprenderam desde o início da década de 1960: compor, gravar e subir aos palcos. A prova mais recente disso é o lançamento de Foreign Tongues, o novo álbum de estúdio da banda, que mostra que os Rolling Stones seguem olhando para frente em vez de apenas revisitar o próprio passado. A idade, naturalmente, trouxe limitações físicas, mas não foi suficiente para interromper a criatividade. Em uma época marcada pelo imediatismo e pelo consumo acelerado de novidades, a longevidade da banda desafia a lógica de que a arte precisa ter prazo de validade.
Durante muito tempo, o gênero foi associado apenas à rebeldia da juventude, como se guitarras, atitude e energia tivessem data para acabar. Os Stones provaram o contrário. Envelheceram sem renunciar à própria identidade e sem recorrer à caricatura. Não tentam parecer jovens, simplesmente continuam sendo uma banda de rock.
É verdade que dificilmente um novo álbum ocupará o mesmo lugar histórico de obras como Sticky Fingers, Let It Bleed ou Exile on Main St.. Aqueles discos ajudaram a moldar a história da música e pertencem a um contexto irrepetível. Mas talvez essa comparação nem seja necessária. A grandeza dos Rolling Stones, hoje, está menos em reinventar o rock e mais em mostrar que ainda vale a pena criar, quando tantos artistas optam apenas por reviver o passado.
A permanência da banda também lança uma reflexão sobre a própria cultura contemporânea. Vivemos em um tempo em que quase tudo parece descartável: músicas, tendências e até carreiras. Os Rolling Stones seguem na direção oposta. Eles demonstram que relevância não depende apenas de juventude ou de sucesso imediato, mas de consistência, autenticidade e paixão pelo que se faz. São qualidades que resistem ao tempo muito mais do que qualquer moda.
Essa é a maior prova de que o rock não tem fim. Não porque voltará a dominar o mercado ou porque jamais perderá espaço para outros estilos, mas porque sua essência continua encontrando voz em artistas que se recusam a abandonar a criação. Enquanto houver artistas capazes de transformar suas criações em verdadeiras experiências, o rock continuará vivo. E poucas bandas simbolizam essa infinitude de forma tão convincente quanto os Rolling Stones.
Bruno Moreira (@obrunocos) é publicitário e gestor de marketing

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
























