
O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, rebateu nesta quinta-feira (28.05), em sessão na Câmara Municipal, as declarações do prefeito Abilio Brunini (PL) sobre supostas irregularidades que poderiam chegar a R$ 80 milhões na pasta. Veja o pronunciamento na íntegra ao final da matéria.
Em discurso aos vereadores, Monge classificou como irresponsável a fala do prefeito e afirmou que “não existe nenhum processo nesse valor” na Secretaria de Educação. “Falar de um desvio de 80 milhões é praticamente uma irresponsabilidade”, disse. O ex-titular da pasta explicou que os processos de compra passam por diferentes instâncias técnicas da prefeitura, o que, na sua avaliação, impede irregularidades dessa magnitude.
Ele também contestou a afirmação de que teriam sido adquiridos livros por até R$ 800. De acordo com Monge, a rede municipal adquire “soluções pedagógicas”, que incluem materiais didáticos, formação de professores e plataformas educacionais.
Amauri também disse que um sistema estruturado de ensino chegou a ser avaliado, mas não foi contratado. Segundo ele, o valor discutido era de cerca de R$ 470 por aluno ao ano. “É mais uma inverdade falar que nós estávamos pensando em comprar livro por 800 reais”, declarou.
Sobre a suspeita de excesso de materiais, afirmou que as aquisições seguiram diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e atenderam diferentes públicos. “Quem não conhece a educação não deveria comentar a educação”, disse.O ex-secretário também saiu em defesa dos servidores envolvidos nos processos e negou irregularidades.
Cortina de fumaça
Monge aproveitou o pronunciamento para criticar a atual gestão e disse que a denúncia pode servir como “cortina de fumaça” para problemas fiscais. Segundo ele, houve uma “pedalada de mais de 100 milhões” em recursos da educação que teriam sido postergados.
“Não deixem que ilações falsas sirvam de cortina de fumaça para a verdadeira situação da educação de Cuiabá”, afirmou.
Ele também citou atrasos em pagamentos a fornecedores, como uniformes e serviços terceirizados, e disse que há risco para empresas contratadas.
O prefeito Abilio Brunini não havia se manifestado até a publicação desta reportagem sobre as declarações do ex-secretário.
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