No dia 15 de julho, celebramos o bicentenário da criação da Diocese de Cuiabá, elevada da condição de Prelazia por meio da bula Sollicita Catholici Gregis Cura, do Papa Leão XII, em 1826. Desmembrada da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a nova Diocese marcou um momento decisivo para a evangelização no Centro-Oeste brasileiro.
Em 1819, chegou a Cuiabá Frei José Maria de Macerata para colaborar com o prelado Dom Luís de Castro Pereira. Em 27 de maio de 1824, assumiu o governo espiritual da vasta Prelazia de Cuiabá. Missionário capuchinho italiano, destacou-se pelo trabalho evangelizador junto aos indígenas Guatós, no Pantanal, conquistando o respeito e a admiração da população.
Com o apoio do povo e a anuência do imperador Dom Pedro I, Frei Macerata foi apresentado para ser o primeiro bispo da Diocese de Cuiabá. Entretanto, sua indicação foi cassada pela Câmara por ser estrangeiro. Assim, nunca chegou a receber a sagração episcopal. O contexto político da recente Independência do Brasil e o regime do Padroado, que subordinava a vida da Igreja ao Estado, contribuíram para esse desfecho.
Embora criada oficialmente em 1826, a Diocese permaneceu por vários anos sem bispo. Durante esse período de vacância, a administração foi confiada ao sacerdote cuiabano Padre Antônio Tavares, até a chegada de Dom Antônio dos Reis, em 1833, primeiro bispo efetivamente nomeado e sagrado para Cuiabá.
Ao celebrar este bicentenário, somos convidados a cultivar três olhares.
A história nos ensina a valorizar o legado dos missionários que trouxeram o Evangelho a estas terras e lançaram os alicerces da Igreja que hoje somos. Também nos ajuda a compreender os desafios e limites de cada época. Como afirmou Cícero: “A gratidão não só é a maior das virtudes, mas a mãe de todas elas.”
A memória agradecida fortalece nossa paixão missionária e nos inspira a continuar anunciando o Evangelho com a mesma fidelidade e generosidade daqueles que nos precederam.
Somos chamados a construir uma Igreja cada vez mais marcada pela comunhão, participação e missão. Mesmo diante das incertezas, nossa esperança está firmada em Cristo, “Aquele em quem pusemos nossa confiança” (2Tm 1,12), para quem “nada é impossível” (Lc 1,37). Por isso, “a esperança não decepciona” (Rm 5,5).
Com alegria, elevaremos nossa ação de graças ao Senhor Bom Jesus na Santa Missa do Bicentenário, no dia 15 de julho, às 18h30, na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus, agradecendo pelas bênçãos derramadas ao longo destes 200 anos de história e missão.
Pe. Deusdédit Monge é administrador Arquidiocesano da Arquidiocese de Cuiabá

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online























