
Foi lançado nesta segunda-feira (01.06), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o livro “Indicadores do Clima em Mato Grosso: Cenários da Crise Climática e a formulação de políticas públicas”, organizado pelo Instituto Inca com apoio do deputado estadual Júlio Campos (União) e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).
A obra reúne um recorte de dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), vinculado à ONU, além de dezenas de estudos científicos voltados às projeções climáticas para o estado. O material busca traduzir informações técnicas em linguagem acessível para gestores públicos e legisladores municipais.
Segundo a jornalista Juliana Arini, secretária executiva e editora do livro, o objetivo é aproximar o debate climático da realidade local. “Quando acontece uma catástrofe climática, quem lida com o problema na ponta é o prefeito. A proposta é distribuir esse material para os 142 municípios e câmaras legislativas, para que possam se preparar”, afirmou.
A publicação é resultado das discussões da Câmara Setorial Temática (CST) de Mudanças Climáticas da ALMT, que reuniu pesquisadores, integrantes da Defesa Civil e especialistas em incêndios florestais. “Extraímos uma síntese para que o gestor público tenha acesso à informação de forma facilitada, sem linguagem científica”, disse Arini.
Os cenários apresentados nos estudos que compõem o livro apontam para mudanças significativas já no curto prazo. Até 2030 todos os municípios de Mato Grosso podem enfrentar ondas de calor com temperaturas acima de 40 °C por períodos prolongados.
“Há questões que não temos como evitar, como o calor extremo. Mas podemos mitigar os impactos”, disse Arini. Entre as propostas estão subsídios para climatização de residências populares, ampliação da arborização urbana e adaptação do transporte público.

A pesquisadora Carolina Joana da Silva, professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), destacou que o estado apresenta grande diversidade climática, o que amplia os desafios. “O Pantanal é um sistema dominado pela água, enquanto áreas de floresta têm regimes de chuva diferentes. Isso exige estratégias específicas”, afirmou.
Ela também chamou atenção para a relação entre uso do solo e regime de chuvas. “Onde há vegetação, há mais chuva. O equilíbrio no uso do solo precisa ser mais regulado. Estamos vivendo decisões que vão na contramão dessa necessidade”, disse, ao comentar recentes mudanças na legislação ambiental.
A suplente a deputada estadual Sheila Klener Jorge de Souza, analista ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), destacou a importância da preservação de nascentes e áreas de recarga hídrica. “Sem floresta e sem água, não há produção. Isso precisa ser compreendido por toda a sociedade, especialmente pelos proprietários rurais”, afirmou.
Ela também alertou para a preocupação crescente no Pantanal, onde, mesmo após períodos de chuva, a percepção é de insuficiência hídrica. “O cenário ainda é de seca, e há demanda por medidas emergenciais, como perfuração de poços”, disse.
Durante o lançamento, o deputado Júlio Campos afirmou que o estado ainda não possui um plano estruturado de adaptação às mudanças climáticas. “Essa publicação é uma contribuição para que gestores públicos possam planejar ações urgentes. As mudanças já estão acontecendo e tendem a se intensificar”, declarou.
O parlamentar também afirmou que fará indicação no plenário cobrando o andamento do plano estadual de mudanças climáticas e o planejamento para o período de queimadas deste ano. A publicação será encaminhada a órgãos do Executivo estadual, como a Secretaria de Meio Ambiente e a Casa Civil, além de prefeitos e vereadores. A expectativa dos organizadores é que o material sirva de base para a formulação de políticas públicas adaptadas à realidade local.

























