Este relato é fantasioso e verídico ao mesmo tempo. Aconteceu comigo e com minha família em um fim de semana no Malai Manso Resort, na Chapada dos Guimarães. Fantasioso, porque a memória de pai sempre colore os fatos com encantamento. Verídico, porque, em meio àquele cenário grandioso, descobri o verdadeiro tamanho dos meus dois filhos, ainda bebês.
Um dia antes da viagem, conheci a história do texugo-do-mel. Pequeno no tamanho, gigante na coragem. Habitante da África ao sul da Índia, é considerado um dos animais mais destemidos do mundo. Enfrenta presas maiores e suporta venenos de serpentes. Quase “imortal”, tamanha resistência. Essa imagem ficou comigo e virou pano de fundo para o texto e lente para enxergar meus próprios “gigantes em miniatura”.
Outra coincidência veio do sul da Índia. Em tâmil, “malai” significa abundância, grandeza e montanha. Não deixa de ser simbólico que o Malai Manso Resort, cercado de morros e exagero, traga no nome essa ideia de superlativo. Mas percebi que a verdadeira abundância daquele lugar não estava apenas nas instalações, e sim nas experiências que vivemos ali.
Chamar de “descanso” um fim de semana com bebês gêmeos é otimismo puro. Enquanto o resort oferecia fartura e piscinas, nós corríamos atrás de dois pequenos exploradores. Em um fim de tarde, descemos para o gramado com uma bola.
No campo improvisado, Álvaro e Mateus, corriam atrás da bola como se disputassem uma final de copa do mundo. Caíam, levantavam, riam alto, chutavam torto. A cada chute, o campo parecia pequeno demais para a alegria deles. Foi ali que entendi que a grandeza não estava no tamanho do resort, mas na intensidade com que aqueles dois ocupavam o mundo.
Durante a estadia, participamos do lançamento da biografia de Blairo Maggi. O livro conta sua trajetória como engenheiro agrônomo, empresário, governador, senador e ministro da agricultura. Ali estava mais um gigante, agora do agronegócio, alguém cuja história se estende por muitas páginas e se mistura com a de um Estado inteiro.
Na sessão de autógrafos, a metáfora ganhou corpo. Ao nos aproximarmos para a foto, nossos dois pequenos se posicionaram, quase instintivamente, um de cada lado do biografado, como se o estivessem acolhendo. Cena simples. Bebês cercando, com naturalidade, alguém acostumado ao poder e à responsabilidade.
Em certo momento, um deles tocou os cabelos grisalhos de Blairo. Ele sorriu e disse: “A dedicatória deste livro é para vocês dois, para que daqui a dez anos comecem a escrever as suas próprias histórias.”
De um lado, a biografia de um gigante já escrita. Do outro, duas histórias em branco. No meio, um pai percebendo que seus filhos, mesmo de fralda, já encaram um mundo enorme com uma coragem silenciosa, muito parecida com a do texugo-do-mel.
Que nossos dois pequenos cresçam fortes, corajosos, destemidos e tementes ao nosso Pai Maior. Que a grandeza deles não seja medida apenas em altura ou cargos futuros, mas na capacidade de manter o coração firme, a curiosidade acesa e a fé viva.
Porque, se aprendi algo naquele fim de semana entre montanhas, gramados, biografias e um animal improvável, é que os maiores gigantes da minha vida, e da Bianca, ainda usam fraldas, mas já nos ensinam diariamente o que é bravura.
Claiton Cavalcante é membro da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis e do Instituto dos Contadores do Brasil.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
























