A recente apuração iniciada pelo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sergio Ricardo, sobre possíveis irregularidades na compra de livros para a rede municipal de ensino de Cuiabá colocou a gestão do prefeito Abílio Brunini em uma situação delicada. As denúncias envolvem materiais supostamente superfaturados, inadequados para a grade curricular e com erros de conteúdo. Durante a visita a uma escola da capital, o prefeito afirmou que não tinha conhecimento dos fatos e que colaborará com as investigações.
Mas essa declaração levanta uma questão inevitável: como o chefe do Executivo municipal pode alegar desconhecimento sobre um assunto tão relevante dentro de uma das áreas mais importantes de qualquer administração pública? Se a situação for realmente desconhecida pelo prefeito, isso não o exime de responsabilidade. Pelo contrário, evidencia uma preocupante falta de acompanhamento sobre o que acontece dentro da própria gestão.
Governar uma cidade não é apenas escolher secretários e delegar funções. A responsabilidade final pelas ações da administração municipal recai sobre o prefeito. A população não elege apenas uma equipe; elege um líder para supervisionar, cobrar resultados e garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma correta e eficiente.
Nesse contexto, surge a impressão de que a atenção do prefeito tem estado mais voltada para a construção de sua imagem pública do que para o acompanhamento das áreas essenciais da administração. Popularidade nas redes sociais pode ser uma ferramenta de comunicação, mas não substitui a obrigação de conhecer em profundidade o funcionamento da máquina pública, especialmente em um setor tão sensível como a Educação.
Por sua vez, Sergio Ricardo, conhecido por seu estilo midiático, demonstra disposição para levar a investigação até as últimas consequências. Se as denúncias forem confirmadas, o episódio poderá revelar problemas que vão além de um único contrato. E, caso o pente-fino alcance outras áreas da administração, novas situações poderão vir à tona.
Talvez este seja o momento de o prefeito voltar sua atenção integralmente para a gestão da cidade. Administrar Cuiabá exige mais do que presença constante nas redes sociais. Exige comando, fiscalização e responsabilidade. O cidadão não cobra vídeos, discursos ou popularidade. A população cobra resultados.
Marina Duarte é servidora pública e analista de Gestão Pública

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online























