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SESSÃO VITRINE PETROBRAS

Filme Criadas será exibido nesta terça no Cine Teatro Cuiabá

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O Cine Teatro Cuiabá vai exibir nesta terça-feira (23.06) o longa Criadas, dirigido por Carol Rodrigues. A exibição é uma parceria com a Sessão Vitrine Petrobras e a sessão começará às 19h30. A classificação é 16 anos e a entrada custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Os ingressos podem ser retirados na bilheteria do Cine Teatro Cuiabá a partir das 14h de terça ou antecipadamente via Sympla.

É com a imagem de “A Redenção de Cam”, do artista espanhol Modesto Brocos, símbolo maior do mito da democracia racial brasileira, em chamas, que “Criadas”, primeiro longa-metragem de Carol Rodrigues, começa. Mas o efeito reverse motion (de reversão), com o fogo reconstituindo o quadro, indica que o reencontro das primas Sandra (Mawusi Tulani), negra retinta, e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), negra de pele clara não obedecerá às linearidades. Como engenheira, a primeira retorna à casa em que foi criada junto da prima, hoje uma chef de cozinha, à procura de fotos de sua mãe Ivone (Ivy Souza), então empregada na residência da prima Olívia (Sarito Rodrigues), durante a infância delas.

Esse é o fio condutor da trama que perpassa dores comungadas por pessoas negras no Brasil, em maior ou menor escala, graças ao colorismo e aos resquícios do sistema
escravocrata tão presentes nas relações estabelecidas entre patroas x funcionárias do lar. E, no filme, com o agravante de que elas pertencem ao mesmo núcleo familiar.

Em meio ao acerto de contas com as feridas racistas de seu passado, as primas Sandra e Mariana começam a conviver, na casa onde cresceram, com forças sobrenaturais resistentes às suas novas posições sociais. As duas também são visitadas por suas versões ainda criança, interpretadas, respectivamente, por Vitória Marques Rodrigues e Alice de Jesus Feitosa. Com expressões infantis marcantes, ora de frustração, ora de descontentamento, elas delimitam os lugares sociais que cada uma podia ocupar naquele período.

O chamado de volta ao presente é feito no filme pela personagem Raquel, vivida pela angolana Rudimira Fula, então responsável pela limpeza da casa de Mariana. O retorno afrodiaspórico, por se tratar de uma imigrante, serve um outro ponto de vista territorial. Mulher sábia, ciente da dicotomia vivida naquele espaço pelas duas primas, faz de tudo para fazer seu trabalho e entrar e sair de lá sem sofrer qualquer tipo de prejuízo financeiro.

Diferentes camadas de luta encampadas por pessoas negras também atravessam as personagens em pautas como a invisibilidade no mercado de trabalho, a apropriação intelectual de quem não ocupa cargos de chefia, mesmo tendo competência e superformação para tal e recorrência de que duas pessoas negras ou mais raramente integram uma equipe, em ambientes corporativos montados no limite da cota racial. Subjetividades como a responsabilidade quase universal de honrar os antepassados, em geral, mães e avós, também são trazidas e é um sentimento compartilhado por Carol Rodrigues, que fez do filme uma declaração de amor a própria avó, Esméria, que partiu dessa dimensão 16 dias antes dela começar a rodar.

Quando, em cena, as duas protagonistas entoam juntas: “Mãe preta, quando canta no terreiro, embaixo daquele poleiro, só pro negrinho dormir / Dorme, filho, você não faz nada, tem pena da velha, que tá muito cansada/ O negrinho, com os lábios a sorrir, fecha os olhinhos e começa a dormir / Dorme nenê, mamãe tem o que fazer / lavar, engomar os paninhos de você”, elas estão cantando o que Carol ouvia na voz de Dona Esméria.

“A história fala das contradições internas da minha família. Minha avó veio para São Paulo com 14 anos para trabalhar como empregada do lar. Com 40 anos, se torna funcionária pública e começa a trazer primas para trabalhar em casa. Eu morava com a minha avó, mas a minha mãe me teve muito cedo, com 21 anos, e a gente morava no mesmo quintal. Apesar de afetivamente, o filme ser dedicado à minha avó, acho que a minha família entendeu que o filme é sobre a gente”, conta Carol Rodrigues, que dirige seu primeiro longa-metragem, depois de assinar curtas premiados como “A felicidade delas” (2019) e “A boneca e o Silêncio” (2015). O roteiro de “Criadas” também é dela e saiu vencedor nesta categoria no Festival Cabíria 2023 e com mais três prêmios do BrLab 2017.

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